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26 de fevereiro de 2016

Casamento e vida familiar


Casamento

Você passará por muitas dificuldades na vida. Chuvas de problemas cairão em você. Preocupações o cercarão e manter sua vida cristã não será fácil. Mas não se preocupe. Deus o ajudará. Faça o que estiver ao seu alcance. Você consegue ler um livro espiritual por cinco minutos? Então leia. Você consegue rezar por cinco minutos? Reze. E se não conseguir por cinco, reze por dois minutos. O resto é com Deus.

Quando você enfrentar dificuldades no casamento, quando perceber que não está progredindo na sua vida espiritual, não se desespere. Mas também não se contente com qualquer progresso que porventura já tenha obtido. Eleve seu coração a Deus. Imite aqueles que entregaram tudo a Deus e faça o que puder para ser como eles, mesmo que tudo o que consiga seja desejar em seu coração ser como eles. Deixe a ação para Cristo. E quando avançar dessa forma, você verdadeiramente sentirá o propósito do casamento. Senão, assim como um cego perambula por aí, você também vai acabar perambulando na vida.

Mas então qual o propósito do casamento? Vou lhe dizer três dos principais propósitos. 

Em primeiro lugar, o casamento é um caminho de dores. O casamento é uma jornada em conjunto, um compartilhamento de dores e, claro, de alegrias. Mas normalmente são seis acordes de nossa vida que soam tristes e apenas uma que soa alegre. Pensar que o casamento é uma estrada para a felicidade é adulterar seu verdadeiro sentido, é como negar a cruz. A alegria do casamento está no fato de que marido e mulher encostam seus ombros na roda e, juntos, rolam ela montanha acima. “Você nunca sofreu? Então você nunca amou”, dizia um poeta. Só quem sofre pode amar de verdade. Eis porque a tristeza é uma característica necessária ao casamento. Assim como o aço é forjado na fornalha, assim também o marido e a mulher são forjados no fogo das dificuldades do casamento.

Em segundo lugar, o casamento é uma jornada de amor. Dizer “sou casado” significa dizer “não posso viver um único dia, nem mesmo alguns momentos, sem a companheira da minha vida”. O casal troca alianças exatamente para mostrar que, em meio às tormentas da vida, permanecerão unidos. Cada um tem uma aliança colocada no dedo do qual corre uma veia direto para o coração justamente para demonstrar que o cônjuge está inscrito em seu próprio coração. O aspecto mais fundamental do casamento é o amor, e o amor nada mais é do que a união de dois em um. Deus abomina a separação e o divórcio. O que Ele quer é uma unidade inquebrantável (cf. Mateus 19:33-9; Marcos 10:2-12).

Em terceiro lugar, o casamento é uma jornada para o céu, um chamado de Deus. Por exemplo, o ícone é um mistério. Quando veneramos um ícone não estamos venerando a madeira ou a pintura em si, mas o Cristo, a Mãe de Deus ou o santo que está ali misticamente retratado. A santa cruz é um símbolo do Cristo, ela contém Sua presença mística. O casamento também é uma presença mística, exatamente como o ícone e a cruz. É o Cristo, portanto, que está no coração do mistério e no centro da vida do casal. Quando você vislumbra seu casamento, seu marido, sua esposa, o corpo de seu cônjuge, quando você vê seus problemas, tudo o que está em sua casa, saiba que tudo isso são sinais da presença de Cristo. Todas essas coisas são as sombras do Cristo, são coisas que revelam que Ele está conosco.

O casamento é um movimento, uma progressão, uma jornada que termina no céu, na eternidade. À primeira vista parece que o casamento é a união de duas pessoas. Mas na verdade é a união de três pessoas. O marido se casa com a mulher, a mulher se casa com o marido, mas os dois juntos também se casam com Jesus Cristo. Portanto, os três tomam parte no mistério, e os três permanecem juntos ao longo da vida. – Arquimandrita Emiliano do Mosteiro de Simonopetra, Monte Athos

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Não são paredes nem móveis refinados que constituem um lar. Os milionários que moram em magníficas mansões talvez nunca tenham visto um lar. Mas onde há bons relacionamentos, onde o amor une os membros da família entre si e a Deus, aí sempre haverá felicidade. Pois os bons relacionamentos são o céu em qualquer lugar em que estejam. Monotonia e miséria não existem onde há amor. Mas a lareira do amor deve ser mantida aquecida e viva com a doce lenha do sacrifício. Nosso Senhor, ao nos ensinar a arrancar o “eu” de nossas vidas, nos ensinou o segredo da felicidade: é aquilo que os santos chamam de êxtase da autodesatenção. Pois o amor divino sempre é modesto, busca sempre dar em vez de receber, servir em vez de ser servido, amar em vez de ser amado. E a tudo sacrificar pelo bem do amado.

Vida familiar

Disse São João Crisóstomo: “É a total desatenção dos pais que causa a desordem que faz com que nossa sociedade sofra. Observem com atenção o que seus filhos fazem, seus relacionamentos e seus apegos, e não esperem piedade de Deus se vocês não cumprirem esse dever”. Não se esqueçam: Deus os colocou como cabeças e mestres de suas famílias. É seu dever observar, e observar continuamente o comportamento de seus filhos.

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O Ancião Porfírio deu um dos melhores conselhos que eu, uma indigna mãe de muitas almas, já vi: “Se você tem um filho de caráter rebelde, o que quer que você diga a ele, diga antes a Deus. Ajoelhe-se perante Deus e por meio da graça de Deus suas palavras serão transmitidas a seu filho... Outra criança pode até ouvir o que você diz, mas a verdade é que ela esqueça muito facilmente o que ouve. Portanto, ajoelhe-se e peça a graça de Deus para que suas palavras maternais caiam sobre solo fértil e deem frutos. Não pressione seus filhos. Não importa o que queira dizer a eles, diga com suas orações. Os filhos não ouvem com ouvidos. Eles só vão ouvir o que queremos lhes dizer quando a graça divina estiver presente e os iluminar. Quando quiser dizer algo a seu filho, diga à Mãe de Deus e ela fará todo o trabalho. Suas palavras se transformarão em um abraço espiritual, as quais abraçarão seus filhos e os motivarão. Mas nossas orações têm de ser fortes, vivas. Sempre conseguimos bons resultados quando rezamos com fé e confiança”.

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O rigor é um elemento essencial no trabalho pedagógico. Porém, ele tem de ser dosado de maneira consistente para que não se transforme em mera grosseria; mas também não deve deixar a impressão de que é apenas ameaça vazia. Bater nos filhos continuamente, portanto, não é a maneira correta de castigar. A criança acaba se acostumando com os castigos e nem por isso fica mais sábia. O método mais apropriado para castigar é ameaçar de castigar e, de vez em quando, colocar a ameaça em prática para que a criança tema de fato os castigos e não pense que a ameaça são só palavras ao vento. O contínuo rigor não deve ser permitido porque o homem, por natureza, precisa de indulgência e tolerância.

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Quando me perguntam como pode o amor de Deus permitir que crianças pequenas morram, eu respondo assim: “Deus designou os pais para criarem os filhos dEle, e não os filhos deles. As crianças são de Deus, não dos pais. Muitas vezes Deus faz, com a morte das crianças pequenas, o mesmo que os pastores fazem com as ovelhas rebeldes que insistem em não se juntar ao rebanho: ele agarra o cordeirinho para forçar a ovelha rebelde a vir a ele”. – Ancião Epifânio Theodoropoulos (+1989)

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As crianças que adormecem no Senhor em tenra idade vão direto para o paraíso, como anjos. E quando os pais veem a falecer, são esses pequenos anjos que os recebem no céu com velas acesas. Os pais são espiritualmente recompensados pelos seus filhos-anjos. – Ancião Paísio, o Atonita (+1994)

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A dor suaviza o coração e dele remove sua dureza. Na medida em que o coração é suavizado, o terreno se torna apto para receber as sementes do verdadeiro arrependimento e da correção genuína. – Santo Ignácio Brianchaninov (+1867)

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Em geral os pais são os culpados pelo mau comportamento dos filhos. O comportamento deles não melhora mediante reprimendas, disciplinas ou crueldades. Se os pais não buscam uma vida de santidade e se não se esforçam na batalha espiritual, graves erros acabam sendo cometidos e transmitidos para seus filhos. Se os pais não vivem uma vida santa e não demonstram amar um ao outro, o diabo tormenta os pais com as reações de seus filhos. Amor, harmonia e entendimento entre os pais é do que os filhos precisam. Isso lhes dará a verdadeira segurança de que precisam.

O comportamento dos filhos é diretamente proporcional ao estado dos pais. Quando os filhos são vítimas do mau comportamento que os pais demonstram entre si, eles perdem a força e o desejo de progredir em suas vidas. Suas vidas tornam-se fracas, fajutas, e o edifício de suas almas está sempre prestes a desmoronar.

Vocês, pais, devem rezar silenciosamente a Cristo com os braços erguidos e abraçar seus filhos misticamente. – Ancião Porfírio (+1991)

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Quando há um incêndio na casa, ninguém diz “Nossa, que fogo lindo!”, mas imediatamente pede ajuda o mais rápido possível. Quando o fogo das paixões começa a irromper nos filhos, ameaçando-os temporal e eternamente, como é possível que fiquemos apenas observando? Portanto, vocês, pais, estejam sempre atentos e não deixem de notar o mais mínimo sinal de maldade, mesmo na mais tenra idade – pois os defeitos, que são inconscientes em princípio, tornar-se-ão conscientes mais tarde. Pois tais são as consequências miseráveis do pecado ancestral. – Bispo Irineu de Ekaterinburg (+1994)

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A teimosia é tão contrária à Ortodoxia que acaba bloqueando o crescimento espiritual. É responsabilidade dos pais impor sua vontade sobre a criança, mesmo nos mínimos detalhes, mesmo nas áreas aparentemente mais insignificantes da vida da criança.

A vontade dos pais deve se impor em todos os passos da vida da criança – claro, de maneira geral. Do contrário, o comportamento da criança pode facilmente se corromper. Quando se acostuma a fazer sua própria vontade, a criança sempre teima em não obedecer aos pais, mesmo nas pequenas circunstâncias. O pescoço não vira, as mãos e os pés não se movem, e os olhos nem mesmo desejam olhar conforme lhes é ordenado.

A mãe deve ser forte e olhar para seu filho sob o ponto de vista do que é melhor para sua alma eterna. Ele deve:

(1) Insistir com firmeza que todas as ordens que der ao filho, mesmo as mais aparentemente insignificantes, sejam obedecidas. Se a obediência não vier, consequências imediatas e desagradáveis lhe sucederão.

(2) Ensinar a criança a respeitar a propriedade das outras pessoas. Isso não apenas lhe conferirá certa humildade (não sou o centro do universo, não é tudo que me pertence), mas tornará a criança mais confiável em situações onde não esteja sob supervisão.

(3) Ensinar a criança a pedir permissão para fazer as coisas.

Permissividade não é bondade. A criança que desde pequena convive com a mãe tende a querer lhe agradar. A tenacidade e a rebeldia não fazem a criança feliz, mas em verdade não passam de traços da humanidade decaída. – Presbítera Juliana Cownie

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Os pais cujos filhos apresentam retardamento mental não devem se sentir tristes por isso, pois suas almas já estão salvas. Na verdade, eles deveriam estar felizes, pois seus filhos, sem esforço algum, merecerão o paraíso. O que mais seus pais poderiam desejar a seus filhos? Se eles encararem o defeito de seus filhos sob um ponto de vista espiritual, verão que eles também foram beneficiados e recompensados por Deus. – Ancião Paísio, o Atonita (+1994)

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Cansada de lavar roupa? Cuidar dos filhos e da casa é um chamado de Deus. Os afazeres domésticos são uma bênção para nós e nossa família. Até mesmo lavar roupa é uma atividade abençoada – sem filhos, sem roupas. O que seria de nossas vidas sem eles? Portanto, na medida em que você lava e passa cada peça de roupa, reze “Senhor, tem piedade do (nome do dono da roupa)”. Isso vale para as roupas do seu marido, dos seus filhos e suas também. “Senhor, tem piedade de mim”. Isso acaba santificando nosso tempo e trabalho. Também ajuda a adquirir paz e oração incessante.

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As alegrias mundanas não confortam a pessoa espiritual. Na verdade, elas cansam. Se você colocar uma pessoa espiritual em uma casa mundana ela não se sentirá confortável. Mesmo uma pessoa secular não encontra descanso em uma casa assim. Na verdade, o que se sente é apenas prazeres superficiais, externos. No fundo, em seu coração, não há prazer, apenas sofrimento.

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É muito importante que haja uma pessoa na família que reze verdadeiramente. A oração atrai a graça de Deus e todos os membros da família a sentem, mesmo aqueles cujos corações se endureceram. Reze sempre. – Ancião Tadeu de Vitovnica (+2002)

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Certa vez queixei-me com uma abadessa que ser mãe e ter uma vida de oração é muito difícil. Ela disse: “Ora, é claro que é difícil! Você queria o quê? Que os demônios jogassem chocolate para você?!”

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O que entra nos ouvidos acaba no coração e na alma. A maioria das pessoas já ouviu falar que o rock não passa de música satânica e que faz mal para nossos filhos, mas e quanto às “músicas românticas”, essas que estão sempre nas “paradas de sucesso” e que falam como ele a ama, como ele a amou, como ele quer ser amado por ela, como ela partiu seu coração etc. etc. etc. Essas músicas parecem inocentes, mas na verdade elas rastejam sorrateiramente para dentro da mente do ouvinte e acaba fazendo com que a pessoa deseje esse tipo de amor passional, fantasioso e ilusório. O verdadeiro amor é aquilo que sobra depois que a paixão vai embora. Essas canções só servem para perturbar o curso natural do casamento. A música pop passa uma falsa imagem de “amor” e não deve ser programada nas mentes e corações de nossas inocentes crianças.

Fonte: Orthodox Christian Parenting, compilado por Marie Eliades, Zoë Press, EUA, 2013, trechos selecionados. Os trechos sem autoria são de Marie Eliades.

19 de novembro de 2010

Considerações do Ancião Epifânio sobre psiquiatria


O Ancião Epifânio Theodoropoulos responde as perguntas de um fiel ortodoxo sobre psiquiatria.

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Dizem que alguns psiquiatras consideram a abstinência durante a juventude como sendo uma das causas das doenças psiquiátricas. É verdade?

Não, eles estão errados, e a explicação é muito simplpes. Todas as pessoas que vão a um psiquiatra estão doentes. Ninguém que esteja são vai ao médico, assim, sem motivo. Portanto, pelo fato de alguns pacientes não terem relações, eles chegam à conclusão, baseando-se em teorias freudianas, que a causa dos distúrbios neuropsíquicos é a continência. Conheço dúzias de jovens que não têm relações e estão muito bem de saúde psíquica.

O que o senhor acha da psicanálise?

A psicanálise começou com Freud, que dizia que os distúrbios da alma são fruto da repressão dos impulsos sexuais, do instinto genético do homem. Segundo a psicanálise, se fizermos as perguntas certas em um ambiente de hipnose, ajudaríamos o paciente a extrair de seu subconsciente as antigas experiências traumáticas da alma, descobrindo, assim, a causa dessa culpa, a qual, segundo os psicanalistas, claro, está relacionada com a frustração dos impulsos sexuais.

Porém, nossa época -- uma época infeliz e totalmente licenciosa -- provou inúmeras vezes que Freud estava errado, pois, se sua teoria fosse verdadeira, as doenças psiquiátricas teriam diminuído em muito, já que diminui-se a repressão aos instintos sexuais e aumentou-se a liberdade e a satisfação sexual. Mas o que se verificou é justamente o contrário: segundo informações recentes, o número de doenças psiquiátricas só tem aumentado nos últimos anos!

Quer dizer que o senhor jamis recomendaria que alguém se tratasse com psicanalistas?

É uma perda de tempo e de dinheiro, meu filho! A medicina clássica só implementa teorias que demonstram resultados terapêuticos, sem contradições; ela não faria uso da psicanálise como método terapêutico porque até hoje a psicanálise não foi capaz de fornecer dados que comprovem seu valor terapêutico.

Os cristãos podem tomar remédios psiquiátricos? Muitas pessoas dizem que a ansiedade, a depressão, a melancolia -- os distúrbios psiquiátricos em geral -- só podem ser curados com a vida espiritual, isto é, com oração, frequentando a igreja, confissão, santa comunhão etc.

Quando necessário, os cristãos também devem tomá-los.

Mas o que esses remédios podem fazer pela alma humana?

Para começar, os chamados tranquilizantes ou remédios psiquiátricos -- todas essas substâncias materiais -- jamais darão à alma humana a verdadeira calma que ela quer e precisa. Eles jamais darão consolo e esperança à alma de uma mãe cuja filho morreu, nem de livrar a consciência de um homem da culpa dos pecados que cometeu. Este dons vêm somente "do Alto, do Pai das luzes". E somente os sacerdotes (os padres, sobretudo os pais espirituais) da Igreja são capazes de curar estas coisas.

Então por que o senhor acha que os remédios psiquiátricos possam ser necessários?

Escute, meu filho, a ansiedade e a depressão nem sempre são causadas somente pelos fatores que mencionei agora, ou por falência financeira ou por repressão de personalidade ou por perda de auto-estima etc. Há também os fatores que se originam no sistema nervoso humano (no cérebro); em outras palavras, originam-se dos distúrbios das funções superiores do cérebro, tais como as emoções, o pensamento, a vontade etc. Estes tipos de ansiedades, depressões etc. podem ser aliviados ou até mesmo curados com remédios psiquiátricos, os quais agem nas funções cerebrais para trazer-lhes de volta ao seu ritmo normal.

Muitos cristãos concentram-se na parte imaterial do homem, isto é, na alma, atribuindo somente a ela as manifestações de ansiedade, melancolia etc. Eles acabam rejeitando os remédios, pensando que o material é incapaz de afetar o imaterial. Eles se esquecem, porém, que o homem também tem um corpo. O cérebro, que é por onde o alma se expressa, é um instrumento do corpo, um instrumento também material, e que também pode ter seus distúrbios tratados materialmente.

O que o senhor quer dizer com "a alma se expressa através do cérebro"?

Uma analogia que podemos usar para descrever a relação da alma com o cérebro é a do violino com o violinista. Assim como o melhor dos músicos não conseguirá extrair boa música de um violino quebrado ou desafinado, o comportamento humano não será perfeito (ver 2 Tim 3:17) se o cérebro apresentar algum distúrbio. A alma não conseguirá se expressar corretamente. É justamente este distúrbio do cérebro que alguns remédios ajudam a corrigir, ajudando a alma a se expressar corretamente.

Deixe-me perguntar outra coisa para o senhor. A vida sacramental intensa ou as orações fervorosas podem curar estes distúrbios do cérebro?

É claro que sim. Deus pode fazer um milagre nesses casos. Mas a pergunta que você me fez no começo foi outra. Você me perguntou se podemos usar os remédios psiquiátricos. E a resposta é, sem dúvida, que sim!

No entanto, eu lhe pergunto: por que você não fez a mesma pergunta quanto à asma, por exemplo, ou ao eczema ou dor de cabeça ou glaucoma ou úlcera intestinal etc.? Perceba que ansiedade, melancolia etc. não se originam apenas de distúrbios da alma, mas também podem se originar de distúrbios do cérebro ou de uma combinação das duas coisas. No final das contas, o apoio psicológico também é necessário -- ou seja, a ajuda desinteressada para solucionar problemas, com discernimento, de maneira que os pacientes não sintam repulsa pela manifestação de nosso amor, pelo exame de um psiquiatra culto e piedoso, para que eles também os iluminem quanto à natureza dos distúrbios, quanto à invocação de ajuda divina, quanto à frequência aos sacramentos da Igreja etc. --, além da terapia com remédios.

Muitos cristãos acham que as doenças psiquiátricas são de fundo demoníaco e por isso eles rejeitam o uso de remédios psiquiátricos. O que o senhor acha disso?

Somente uma pequena porcentagem dos "doentes psiquiátricos" está realmente possuída. A maioria dos pacientes, porém, não está possuída, nem as manifestações de suas doenças psiquiátricas são fruto de influência demoníaca.

Em quais situações podemos dizer que há possessão de fato?

A Igreja diagnostica a possessão a partir da posição que o fiel assume perante os santos sacramentos (comunhão, confissão etc.) ou perante o Evangelho, a Santa Cruz, as santas relíquias, os santos ícones -- perante as coisas santas em geral.

O Pe. X me disse que em São Gerássimo de Kefallonia eles costumavam colocar a Sagrada Escritura ou um ícone sobre as costas de uma pessoa possuída, ou seja, sem que ela pudesse ver, de maneira que se excluíssem quaisquer possibilidades de sugestão. Então, a pessoa começava a tremer, o que não acontecia quando se lhe colocavam outros objetos ou outros livros.

Há casos de psicose entre os santos?

Sem dúvida. De cabeça, lembro-me do caso de Santa Olímpia, a Diaconisa. Após o exílio de São João Crisóstomo, que era seu pai espiritual, ela passou por profunda depressão. São João a consolava com suas cartas, lembrando-lhe das recompensas divinas que aguardavam aqueles que eram perseguidos em nome do Senhor.

Os epiléticos tem um demônio neles?

Nem todos. Em muitos casos, o cérebro é que está doente, e o resultado disso são as crises epiléticas, surdez etc. São manifestações semelhantes às manifestações das pessoas possuídas, conforme vemos nos Evangelhos.

Por que o Senhor operou tantos milagres com os possuídos?

Para que a superioridade dos poderes do Senhor sobre os demônios se manifestasse e para que as pessoas acreditassem nEle. Estes milagres pareciam muitos porque é provável que Deus tenha permitido que o diabo incomodasse mais as pessoas daquela época. Mas também é possível que o número de pessoas possuídas tenha sido o mesmo em todas as épocas.

18 de novembro de 2010

Não se intrometa na vida dos outros


Era uma vez um pai, que estava andando em seu jumento, enquanto seu filho o acompanhava a pé. Alguém viu esta cena e disse ao pai:

"O senhor não sente pena de seu filho? Você está aí, todo folgado, enquanto o pobrezinho está andando. Deixe ele subir no jumento!"

O pai, então, deixou o filho subir no animal.

Outro pessoa os viu e disse:

"O senhor não tem pena desse pobre animal? O senhor vai matá-lo desse jeito. Desça do coitado do jumento!"

O pai desceu.

Uma terceira pessoa os viu e disse:

"O senhor não tem nem um pingo de vergonha? É assim que o senhor educa seu filho? Ele está montado no jumento enquanto o senhor, que é idoso, está andando a pé? Ensine-o a ter respeito pelo senhor. Faça-o descer do jumento!"

Ambos, pai e filho, estavam agora andando a pé.

Uma quarta pessoa se aproximou e disse:

"O senhor por acaso é idiota? Por que o senhor tem um jumento afinal? Por que um de vocês dois não sobe no jumento?!"

Frustrado, o pai não se aguentou e explodiu:

"Quando vocês vão me deixar fazer o que eu quero?!"