Crescer,
trabalhar, casar e ter filhos não são em si sinais de que você é adulto. Como
já havíamos dito em outra postagem, maioridade não é maturidade. Há pessoas maiores de idade, inclusive idosas, cuja
maturidade é equivalente uma criança assustada, birrenta, exigente, que se
recusa a crescer.
Há 12
sinais que caracterizam a pessoa madura.
(1) A
pessoa madura não culpa seus pais por tudo. Os pais podem ter sido tão perdidos
e machucados quanto os filhos, e assim precedentemente. Ademais, a ideia de que
os pais tenham que ser minimamente decentes é o mesmo que exigir que os pais
tenham que ser especiais. Além de ser uma ideia obviamente delirante, ela impede
que a pessoa assuma a responsabilidade por suas feridas.
(2) A
pessoa madura não quer que os outros leiam sua mente. Trata-se da onipotência infantil,
que se manifesta na forma de “cara amarrada” quando alguém faz (ou não faz)
aquilo que se quer ou se espera. É o equivalente ao bebê que chora e a mãe tem de
saber o que ele quer ou precisa. A pessoa imatura no fundo entende que os
outros e o mundo são a mãe dele.
(3) A pessoa
madura suporta a frustração sem precisar se destruir. A vida vai dizer “não”
muitas vezes, e a pessoa madura reage de acordo com o princípio da realidade, não
do prazer. Por isso, ela elabora a frustração e assume a responsabilidade pelo
que vai fazer, sem gritar, espernear ou quebrar o que quer que seja.
(4) A
pessoa madura reconhece suas projeções. O que nos irrita no outro, mesmo sem
motivo aparente, é uma parte de nós mesmos e é precisamente isso que mobiliza
nossa energia. Isso não significa que no fundo queiramos ser como o outro, mas
que há algo desse outro em nós. O imaturo acha que ele é sempre bom e o outro
nunca presta.
(5) A
pessoa madura renuncia ao perfeccionismo. Ela entende que vai falhar no
trabalho, na família, com amigos, na sociedade, e que importar-se profundamente
com isso seria buscar o constante aplauso alheio.
(6) A
pessoa madura é capaz de ficar sozinha. Mas isso não é o mesmo que concluir que
“não preciso de ninguém”: isso seria mero isolamento defensivo. Por outro lado,
a pessoa madura não precisa da constante presença alheia para cobrir-lhe os
buracos afetivos. A pessoa madura consegue ficar sozinha, ir ao cinema sozinha,
ir às compras sozinha, ir a um evento sozinha etc.
(7) A
pessoa madura compreende que amor não é fusão. Amar o outro é amar precisamente
porque o outro é outro. A ideia de que o outro precisa ter gostos e visão-de-mundo
parecidas ou idênticas é sinal de delírio romântico. O outro tem seus próprios amigos,
interesses etc.
(8) A
pessoa madura sabe que pode ser o vilão da história. Ela sabe quando foi
injusta, manipuladora, tóxica, e assume a responsabilidade por isso sem se
destruir.
(9) A
pessoa madura não responde a tudo no calor do momento. O imaturo não tem filtro
mental e não sabe dar espaço e tempo para elaborar e reagir. A pessoa madura não
apresenta traços de impulsividade cega.
(10) A
pessoa madura aprendeu a pedir desculpas sem usar o “mas”. Em outras palavras,
ela se desculpa e ao mesmo tempo deposita a culpa no outro. Por exemplo: “me
desculpe pelo que eu fiz, mas você me deixa descontrolado”. É claro que isso não
é um pedido de desculpas, mas uma terceirização da responsabilidade. A pessoa
madura simplesmente diz: “me desculpe, eu errei”.
(11) A pessoa
madura não tenta mudar as pessoas. Isso significa que a pessoa imatura tenta “salvar”
alguém, tenta fazer o outro ser mais focado, carinhoso, atencioso, compassivo
etc. A pessoa madura aceita a realidade de quem o outro é. O outro só muda
quando quer, quando a dor de ser como é for maior do que a dor de mudar. O
maduro sabe que sua missão não é “consertar” os outros, não é “jogar a corda”
para os outros se salvarem, mas é decidir se quer conviver com o outro tal como
ele é.
(12) A
pessoa madura faz as pazes com as próprias vulnerabilidades. Os adultos passam mais da
metade da vida construindo muros para não sofrer, para esconder os medos, para
fingir que é forte o tempo inteiro, mas a verdadeira força vem quando aceitamos
que estamos cheios de fragilidades. A pessoa madura tem coragem para dizer ao
outro que está com medo, que está desesperado, que está inseguro. A pessoa que
mostra suas vulnerabilidades é indestrutível porque não tem mais nada a
esconder.
Fonte: Marcos Lacerda, Você é um adulto ou uma criança emocional?, YouTube, 2026.
