Conceito geral
Compreendi
com o pensamento moderno e o Evangelho que a essência do homem não é a
inteligência, não é a beleza, não é a saúde, não é a genialidade, não é
compor como Mozart, Beethoven ou Mendelssohn, não é pintar como Caravaggio,
não; mas sim exercitar a própria liberdade, fazer o bem, porque o homem que
tem uma vontade boa é bom. [...] O pensamento moderno me fascinou,
apaixona-me ainda hoje, ao ponto de quase me fazer cair no desespero,
porque, se existe um pensamento que acentuou a importância da liberdade, este é
o pensamento moderno. Sabem que eu não fui formado nesta ideia? Entendi com o
pensamento moderno e com o Evangelho que a essência do homem é a liberdade.
Metafísica
do ser e crítica à modernidade
Com o fim
de sintetizar a proposta da metafísica do ser de Fabro, propomos as seguintes
afirmações que, segundo o nosso filósofo, definem o autêntico tomismo, e que
bem podemos considerar como o arcabouço teórico que o acompanhará por toda a
sua vida:
- Nada é ou pode ser antes, fora ou além do ente.
- O ente como princípio da realidade, “o que é”, “o que tem um modo de ser concreto”, não se deve demonstrar.
- O pensamento parte do ente como ponto principal e irrenunciável.
- Todo ente é um composto de matéria e forma (essência), que por sua vez tem o seu fundamento radical e máxima perfeição no ato de ser, ato intensivo, ato puro (esse ut actus).
- A relação dos entes e o Ser conhece-se sob a categoria de participação, cuja manifestação mais evidente é a diversidade dos graus de perfeição, já que estes participam em menor ou maior grau no Ser.
- Existem dois tipos principais de participação. O primeiro tipo é a “participação predicamental” que se desenvolve no plano do ente finito (a espécie participa no gênero, o indivíduo na espécie, a matéria da forma e a substância do acidente); para esse efeito, existem dois modos de participação predicamental: uma formal-nocional (lógica) e outra formal-real. O segundo tipo é a chamada “participação transcendental” que corresponde ao âmbito radical do ser; esta faz referência à forma da substância que participa do ato de ser, o qual comunica à forma a sua atualidade e funda o seu existir.
- A creatio ex nihilo por parte de Deus é o fundamento último da participação e a resolução radical da causalidade como causa primeira e última de tudo o que é criado. Isto implica a impossibilidade de dissociar participação e causalidade, o que levou Fabro a diferenciar entre uma causalidade predicamental (a forma causa o ser da matéria) e causalidade transcendental (o ser como princípio intensivo de atualização da essência, isto é, a diferença em todo ente finito entre essentia e esse).
Portanto, a
questão central de toda a metafísica teria sido descoberta por Santo Tomás de
maneira inigualável: a diferença e a relação entre o Ser por essência e
o ser dos entes por participação. Como consequência desta filosofia
primeira, resgatada e defendida por Fabro, nascerá simultaneamente uma
discussão com as posições que abandonaram o ser pelo conceito, o real pelo
ideal, o concreto pelo abstrato, o Absoluto pelo finito.
A obra Participazione
e causalità secondo San Tommaso pode ser definida como uma filosofia da
história da filosofia, um ensaio onde o filósofo friulano apresenta o
horizonte metafísico tomista — «toda metafísica tomista da participação está
baseada nesta noção simples e inesgotável do esse: o esse é o ato
primeiro intensivo que abrange e contém tudo» —, em relação com o
desenvolvimento da história da filosofía. [Observe que o esse intensivo
é o elemento extrínseco em torno do qual a história da filosofia se explica e
se desenvolve. Similarmente, vimos como Josef Pieper conclui que o mesmo papel desempenha a
teologia para a história geral].
Diz Fabro:
Ainda quando se concebam as formas como uma totalidade objetiva ideal (Platão), como atos do synolon material (Aristóteles), ou como determinações a priori do “penso” transcendental..., essas soluções, e outras parecidas, referem-se sempre a uma “forma” [daí a crítica de Fabro ao tomismo formalista] que é o princípio que atualiza a verdade do ser. Este, enquanto tal, não é originariamente significativo, senão que dependerá precisamente da forma (...). Portanto, é evidente que em semelhante resolução do esse do ser não se aborda a determinação última da verdade do ser, visto que a atualidade do ser se dilui em uma referência à forma: ideal, real, conceptual, onde os diversos sistemas situam a verdade do ser. Este recuo ou inflexão formal do esse é ainda mais acentuado no pensamento moderno devido ao cogito de Descartes, que reduziu a verdade à certeza, tema que Kant expressou teoricamente com a fórmula Ich denke überhaupt, enquanto o idealismo transcendental alcançou suas últimas consequências especulativas. [Ou seja, Fabro faz referência ao “eu penso em geral” de Kant, o que equivale à apercepção. Como já vimos aqui, a apercepção é a experiência que a pessoa pode dizer “é minha”. Para Kant, a apercepção é tão importante que lhe confere unidade transcendental e serve de base para a consciência de si. A apercepção e a consequente consciência de si é o equivalente kantiano do cogito cartesiano e, na filosofia clássica, à unidade da experiência.]
Com efeito,
o dualismo imperante no pensamento moderno entre corpo e espírito, sujeito e
realidade externa, percepção e pensamento, fenômeno e númeno bloqueiam qualquer
solução satisfatória na busca da unidade do conhecimento humano. Este
dualismo conduziu ao psicologismo, assumido como a tendência a reconhecer como
predominante o ponto de vista psicológico em relação a qualquer outra
perspectiva científica, levando a que a solução de qualquer problema dependa
exclusivamente do desenvolvimento e funcionamento psicológico do sujeito. Para
sair deste caminho vazio de significado e sem saída especulativa, Fabro propõe
reconduzir a problemática da teoria do conhecimento a seu fundamento
ontológico:
Nós dizemos: eu vejo esta ou aquela coisa, e pretendemos indicar uma substância real ou um atributo essencial das coisas. É justificada esta nossa conduta? Ou, pelo contrário, devemos contentar-nos, como Cátilo, em apontar com o dedo o fluir das coisas que passam? Toda a nossa vida e a mais íntima persuasão estão contra este niilismo fenomenista (...) detenhamo-nos por agora na asserção do fato e na indicação da razão última da sua possibilidade: a participação gnosiológica.
O
psicologismo foi o grande problema ao qual a fenomenologia de Husserl (seguindo
os passos de seu mestre Franz Brentano) quis dar resposta. Fabro explica que o
seu fundamento teórico está na própria gênese da filosofia moderna, o cogito
cartesiano, do qual o próprio Husserl não foi capaz de se livrar. [É
precisamente a crítica de Kolakowski a Husserl].
Fabro,
graças ao estudo dos filósofos modernos – aos quais acusa de introduzir o
princípio metafísico do cogito –, alcança uma compreensão da existência
humana distante do formalismo escolástico de grande profundidade. Em chave polêmica,
Fabro entende a liberdade como a potência que torna a pessoa capaz de ser
sujeito espiritual, que em ato escolhe e assim configura a própria
existência. Na realidade, a leitura fabriana da filosofia moderna mover-se-á
sempre entre dois polos, como se de uma dialética irresolúvel se tratasse: por
um lado, a crítica radical e polémica ao princípio moderno de imanência; e, por
outro, a fascinação pela reivindicação moderna da subjetividade livre. O risco
da liberdade e a busca da autenticidade do próprio ser singular abrem na
Modernidade a possibilidade de uma recuperação do acesso do homem à realidade
até ao seu fundamento: Deus.
Legitimidade
da modernidade: da metafísica do ser à metafísica da existência
“Entre
todos os atos do homem, aquele que recolhe o complexo dinamismo do sujeito, na
unidade da pessoa, é a consciência da liberdade que constitui a síntese
completa da mesma personalidade”. A via de acesso ao ser através da análise da
existência humana é, portanto, uma perspectiva ineludível: “a especulação não
pode deter-se nas relações essência e ser, mas deve explicar o pertencimento
constitutivo do ser ao homem, e do homem ao ser, explicando ao mesmo tempo por
que o homem se busca no ser, e por que o ser se clarifica no homem”.
“Que
significa aqui o plano existencial do agir enquanto diferente da metafísica do
ser? Significa que, enquanto o plano metafísico do ser se baseia no Ipsum
esse subsistens, o existencial baseia-se no Eu concreto como sujeito
espiritual que é o comunicante incomunicável”. Uma distinção de duas ordens
metafísicas que tem o seu fundamento na distinção real das duas faculdades da
alma: intelecto e vontade. Se na investigação da metafísica do ser o
intelecto é o protagonista indiscutível – e o debate com a Modernidade se
centra no âmbito especulativo, como se demonstrou na análise de Introduzione
all' ateismo moderno – agora, na metafísica da existência, o ego volo,
como princípio radical da existência livre, adquire toda a prevalência.
Com efeito,
para Fabro, indagar sobre o fundamento da liberdade era uma necessidade
derivada dos seus estudos metafísicos²⁹, e um passo adiante no caminho de
recuperação do ser como ato: actus essendi na metafísica da
participação, ato livre do eu pessoal na metafísica da existência:
Em primeiro lugar, o Eu não pode senão pôr-se a si mesmo, sentir por todos os lados a presença de si mesmo: nas sensações, nas imaginações, nas lembranças, nos projetos, nas aspirações...: no momento em que se elimina o Eu, tudo cai no nada, porque faltaria o sujeito da presença: cancelado o sujeito, o objeto não é nada e converte-se, enquanto objeto, em nada: este pode continuar “sendo” no espaço e no tempo, tanto na natureza como na sociedade, mas não “existe” para uma consciência, isto é, não existe para uma liberdade.
Portanto, a
intrínseca relação entre liberdade – constitutivo da pessoa – e ato de ser é
inquestionável na filosofia do nosso autor, e aqui é profundamente fiel à
direção tomista, para quem o constitutivo formal do ser pessoal não é a
natureza, mas o ato de ser.
Fabro
advertiu que, dentro da atividade vital da pessoa, a liberdade é a forma de
vida mais alta: “a liberdade é essa característica, essa propriedade e esse
pertencimento do homem mesmo ao ser, mediante a qual o ser que poderia não ser
‘é’, ou, pelo contrário, o ser que poderia ser ‘não é’ ... Portanto, o problema
da liberdade relaciona-se com a ‘criação’, ao ponto de conhecê-la como
‘criatividade participada’. Esta fonte de criatividade que é a liberdade
apresenta-se, não como algo que o homem meramente possui, mas como a essência
mais própria de si: ‘ato puro de emergência do Eu na estrutura existencial do
sujeito como pessoa’. Não basta, então, considerar o ser do homem livre a
partir de um método de análise de tipo essencialista – assinalando faculdades
presentes nele mais ou menos estáticas que possibilitam a escolha livre –, mas
centrando-se no seu caráter como existente.
Em relação
a isto, Fabro propõe uma análise em vários níveis da estrutura da liberdade:
1. Liberdade
ôntica ou aplicada: é o nível mais superficial da liberdade, e refere-se à
capacidade de fazer uma coisa ou outra, isto é, ser livre de impedimentos para
realizar uma ação.
2. Liberdade
ontológica ou psicológica: é o fundo funcional sobre o qual se assenta a
anterior, e que reclama três princípios: sensibilidade, intelecto e razão,
conhecidos como planos intencionais – modo de apreender a realidade por parte
do sujeito – que nos revelam distintos aspectos do mundo e, portanto, raiz da
liberdade no sentido de conditio sine qua non, não como causa.
3. Por
último, a liberdade metafísica ou radical: conhecida como “libertabilidade” ou
“liberdade de liberdade” – querer-querer –, a última raiz da espiritualidade do
eu, isto é, a liberdade como capacidade de autodeterminação do próprio sujeito,
o sentido mais profundo da personalidade subjetiva responsável que é por sua
vez a energia criativa do eu pessoal.
[A
liberdade ôntica (ente) refere-se ao fato do homem estar desimpedido para
decidir e agir. A liberdade psicológica (antropológica) refere-se ao fato dos
atos intelectuais crescerem dentro do âmbito da vontade, conforme demonstrou Josef Piper aqui.
A liberdade ontológica (ser) refere-se à autodeterminação resultante da escolha
final totalmente livre.]
A liberdade
é um ato no qual intervêm as duas faculdades ou princípios da forma humana,
intelecto e vontade; mas não há dúvida de que, para o filósofo friulano, e
nisto se fundamenta numa certa interpretação do pensamento de Santo Tomás –
contra a hermenêutica da escola tomista, que sustentava a superioridade da
razão, e em clara polêmica com o intelectualismo que domina a filosofia moderna
–, a vontade é a faculdade principal: “Certamente, é indispensável a
obra do intelecto para orientar-se no projeto da existência; mas avançar e
decidir sobre isto é, antes de tudo e sobre tudo, obra da vontade”. À vontade
corresponde o fundamento ético-ontológico da liberdade e, por conseguinte,
da subjetividade, do Eu: “Pode-se falar de uma emergência positiva da
vontade na esfera dinâmica da estrutura existencial da pessoa no sentido
tomista de causa sui”. A vontade, como faculdade que projeta o homem
a querer o bem (primeiro gênero da causa final), é princípio reitor do
dinamismo da vida humana que, apoiando-se na inteligência (o bem é
cognoscível) mas sem reduzir-se a ela, é capaz de criar novidade no tempo e
na história, novidade que pode ser boa ou má em termos morais, realidade
que só se pode afirmar se se mantiver a diferença entre inteligência e vontade.
Por que
esta superioridade da vontade em relação à inteligência? Fabro responde
seguindo de maneira independente – à margem das escolas neoescolástica ou
neotomista – ao Doutor angélico. Entre a multidão de textos aos quais se
remete, dois destacam-se pela clareza. O primeiro desses textos é tomado das Questões
disputadas sobre a verdade (De ver.), q.22, a.6: «O que é aquilo que forma
e rege a emergência transcendental da vontade? Como primeira resposta deve-se
dizer que à sua inclinatio necessaria ad ultimum finem, assim como voluntas
– ao contrário da inteligência – ipsam inclinationem hominis nominat,
isto é, ao bem e à felicidade. Portanto, é dentro desta inclinação que se
realiza a liberdade».
Uma atenção
à obra do Doctor communis que exigiria um exame muito mais atento do que
o que vamos esboçar aqui. Sobra dizer que Santo Tomás aprofundou e evoluiu ao
longo de sua trajetória acadêmica sobre este tema tão importante, e Fabro
apoia-se neste “aperfeiçoamento histórico” do pensamento tomista para defender
a sua postura, razão pela qual encontra em um texto posterior à redação da Summa
contra gentiles (1260-1264) e às Quaestiones disputatae de veritate
(1259) a proposta mais madura do Aquinate a respeito.
O texto
fundamental em toda a argumentação fabriana da questão é tomado de uma obra
tomista de maturidade (1266-1267): as Quaestiones disputatae de malo, q. 6. Uma
referência ineludível desde o princípio desta etapa centrada na investigação
sobre a liberdade.
Uma
trajetória tomista – amplamente examinada por ele – que, chegada à questão pessoal
da escolha livre, reconhece necessitar de uma clarificação para evitar cair no
intelectualismo, e é em tal ponto que, apoiando-se em um filósofo plenamente
moderno, Kierkegaard, oferece a sua visão mais inovadora:
Tem-se a impressão de que a análise tomista do ato humano, tão profundo do ponto de vista metafísico e rico em detalhes psicológicos, quase passa por alto a colocação decisiva do momento existencial que consiste, precisamente, na escolha ou determinação pessoal que cada um tem e deve concretizar o fim da própria vocação. E a razão é óbvia: todos aspiram à felicidade em geral da mesma maneira, e nisto um é indistinguível do outro. Cada homem faz então seu próprio juízo sobre a felicidade que prefere e faz a sua escolha em consequência: esta é a escolha existencial do fim que qualifica ontológica e moralmente o sujeito (...). Segundo a terminologia kierkegaardiana, a escolha existencial situa a Diremtion [diferença real ou separação] entre o objeto finito e o infinito (o bem).
Santo Tomás
deixou estabelecido o fim formal da vida pessoal – a felicidade –, enquanto com
o argumento da escolha do fim existencial (opção do Eu por realizar-se no
finito, em si mesmo, ou no infinito, Deus), um dos temas mais recorrentes do
pensamento fabriano sobre a liberdade, Fabro procurou esclarecer o tipo
concreto de felicidade que o sujeito livre pode escolher. Esta temática põe de
manifesto que é a vontade, atividade que decide o fim que
conforma toda a existência, a que exerce o domínio na vida do ser humano
livre: “No fundamento da sua estrutura (não da essência, que é a sua
realidade de ser espiritual) está a possibilidade da escolha”.
Com esta
consideração, a liberdade exerce-se num duplo horizonte, a saber, horizontal
e vertical “numa dupla relação do eu pessoal com o mundo e Deus”. A
adequada articulação destas duas dimensões do dinamismo pessoal é o ponto
crucial em que se integram ser e liberdade: “a realidade é que, podemos dizê-lo
sem rodeios, sem autêntica transcendência (verticalidade) não pode
subsistir sequer a imanência (a horizontalidade), ou, em outras palavras,
sem referência do eu ao Absoluto – princípio que o criou – o homem cai no caos
do inframundo”.
O problema
da liberdade é, portanto, o problema da subjetividade transcendental
constitutiva, entendendo “transcendental” no sentido moderno, isto é, como
constitutivo do ato do sujeito mesmo. Isto quer dizer que qualquer outra
atividade humana que não seja referida à liberdade não é humana: qualquer ato
de liberdade que não seja referido ao aperfeiçoamento do eu como princípio
originário inderivável constitutivo de si mesmo não é livre. Este é o
“transcendental” que eu aceito como legítimo no pensamento moderno.
O
transcendental que Fabro aceita da Modernidade não é a subjetividade
transcendental kantiana (Ich denke), compreendida como condição de
possibilidade radical do conhecer ou do fazer enquanto constitutivo do objeto,
nem o existencialismo transcendental do primeiro Heidegger (Dasein
In-der-welt-sein), cuja abertura livre está votada à morte e à
horizontalidade imanente. Por transcendental moderno Fabro aceita o eu real –
que emerge do ser –, subjetivo, ativo e livre, capaz de assumir como
constitutivo de si através dos seus próprios atos livres, cujas características
fundamentais são a moralidade que aperfeiçoa o próprio sujeito e a consciência
do próprio eu de seu ser livre. Desta maneira, a essência do eu é a
liberdade, o que o filósofo friulano aprendeu num intenso diálogo com os
pensadores modernos. A filosofia moderna permitiu que pudéssemos aprender esta
lição histórica, mas que, no esquema fabriano, deve ser assimilada na sua justa
medida e no marco, como explicamos anteriormente, de uma metafísica do ato de
ser.
Fabro
valorizou especialmente a filosofia de Kierkegaard sobre a liberdade em cinco
pontos que assume como próprios:
1. O
fundamento metafísico da liberdade do indivíduo em relação à onipotência de
Deus – emergência absoluta do Eu no Absoluto –.
2. O
fundamento existencial da liberdade em relação à escolha humana diante de Deus.
3. A
determinação da liberdade a partir da consciência pessoal.
4. A
compreensão da liberdade humana como a tarefa de fazer a si mesmo, isto é, que
o Eu deve converter-se em Eu, algo que, em termos teológicos, significa a
superioridade do princípio católico das obras sobre o princípio luterano da
justificação pela sola fé.
5. A
proposta de que a suprema tarefa da liberdade está em tornar-se cristão
especialmente através da vida de oração.
Fonte: Francisco Javier Calvo Tolosa, Crítica y legitimidad
de la modernidad en el pensamiento filosófico de Cornelio Fabro, Editorial
Fundación Sicómoro, Madrid, Espanha, 2026.




