9 de novembro de 2005

Émile Boutroux

Segue um antigo estudo que fiz do excelente livrinho introdutório de Émile Boutroux sobre Aristóteles. Este livro foi o primeiro da coleção Biblioteca de Filosofia, editada por Olavo de Carvalho e publicada pela Editora Record.

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Título: Aristóteles
Autor: Émile Boutroux
Editora: Record
Título original: Aristote (francês)
Tradutor: Carlos Nougué
Revisão e notas: Olavo de Carvalho
Ano de publicação da edição original: 1925
Ano de publicação da edição brasileira: 2000


Lógica

“É uma análise racional das condições a que deve satisfazer um raciocínio para que sua conclusão seja concebida como necessária.”

Instrumentos do pensamento

1) Noções

  • Categoremas: noções universais: gênero, espécie, diferença, próprio, acidente.
  • Categorias: gêneros irredutíveis das palavras, os gêneros supremos: essência (1ª classe), quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, situação, maneira de ser, ação, paixão (2ª classe).
  • Relações lógicas: a) identidade, b) oposição: contrariedade, contradição, relação privação-posse.

2) Proposições: reunião dos conceitos

  • Conceitos isolados não são verdadeiros nem falsos.
  • Só as proposições comportam verdade e erro.

3) Raciocínio: consiste essencialmente no silogismo.

  • Colocadas certas coisas, alguma outra resulta necessariamente.
  • Silogismo mais importante é a indução (particular-> geral).

A ciência e os instrumentos do pensamento

  • Ciência: conhecimento das coisas pelas causas, isto é, das coisas enquanto necessárias.
  • Este conhecimento é realizado quando conseguimos ligar a coisa à sua causa.
  • Há três tipos de ligações:
  1. Conjunções que sempre se realizam (ciência perfeita).
  2. Conjunções que geralmente se realizam (ciência imperfeita, limitada à possibilidade).
  3. Conjunções que pouco ou nunca se realizam (fora da ciência).
  • Se obtém ciência pela demonstração.

  • Apodíctica: ciência da demonstração.
  • Demonstração faz-se por silogismo direto do primeiro tipo de ligação.
  • Há três elementos na demonstração:
  1. O sujeito.
  2. O atributo, que se liga ao sujeito por um liame de necessidade.
  3. Princípios gerais sobre os quais se funda a demonstração.
  • Estes princípios gerais são indemonstráveis; caso contrário, teríamos progressão ao infinito ou círculo vicioso.
  • Portanto, cada ciência tem seus princípios.
  • De onde vêm os princípios?
  1. Não são inatos.
  2. Não são recebidos de fora.
  3. Há em nós uma disposição para concebê-los.
  4. Por efeito da experiência, essa disposição passa ao ato.
  5. Pois isto é a indução (particular-> geral), pela qual conhecemos os primeiros princípios próprios a cada ciência.
  • Demonstração supõe definição.
  • Similarmente, é necessário que haja definições indemonstráveis.
  • A definição faz-se pela indicação do gênero próximo e das diferenças específicas. [Humanos são animais racionais. Animal=gênero (sobrenome). Racional=diferença específica (nome)] (Kelley, The Art of Reasoning).
  • Resumo: uma coisa é necessária quando é ligada a uma essência específica.

  • Dialética: é a lógica do provável; está abaixo da apodíctica.
  • Parte de opiniões, e não de definições necessárias em si.
  • O dialético raciocina silogisticamente, mas partindo do verossímil.
  • Verossímil: essência apenas genérica, ainda não determinada pela diferença específica.

  • Retórica: busca tornar o verossímil persuasivo.
  • A dialética está para a lógica assim como a retórica está para a moral.
  • Modo de raciocínio da retórica é o entimema.
  • Entimema é o silogismo no qual uma das três proposições é subentendida.

  • Erística: prende-se aos acidentes.
  • Portanto, raciocínio erístico é puro sofisma.



Metafísica

Ampliação da noção de ciência

  • Nem toda ciência lida com o geral.
  • A ciência tem dois modos, dois graus.
  • Há a ciência em potência e a ciência em ato.
  • Ciência em ato: tem por objeto o ser perfeitamente determinado, o indivíduo.
  • Eis aí a idéia-mestra do aristotelismo: o geral não é o princípio constitutivo do ser; o individual não se reduz ao geral; [ciência lida com o geral, mas deve haver uma que lida com o indivíduo].
  • Por exemplo: toda a ciência do geral não chegaria a construir a individualidade de Sócrates.
  • O conhecimento dos indivíduos obtém-se por uma intuição.
  • Assim, a especulação abstrata será impotente para nos fazer conhecer a natureza.

Os princípios do ser

  • O ser está submetido ao devir [A significação do termo devir não é unívoca. [...] Às vezes se chama “mudança” ou “movimento”] J. Ferrater Mora, Dicionário de Filosofia.
  • Se o devir existe então há princípios não engendrados [não originados, não gerados, não produzidos, Dicionário Aurélio] que o explicam.
  • Tais princípios são quatro:
  1. Uma matéria ou substrato, teatro da mudança, teatro da substituição de uma maneira de ser por outra.
  2. Uma forma.
  3. Uma causa motrriz.
  4. Um objetivo.
  • Por exemplo, os princípios de uma casa:
  1. Matéria = madeira.
  2. Forma = idéia da casa.
  3. Causa motriz = arquiteto.
  4. Objetivo = habitação.
  • Esses princípios reduzem-se em dois:
  1. Matéria = madeira.
  2. Forma = idéia da casa.
  3. Causa motriz = arquiteto = forma num sujeito já realizado. [O arquiteto tem a idéia da casa em mente. Portanto, a causa motriz é a própria idéia da casa (forma) num sujeito].
  4. Objetivo = habitação = forma a que a casa tende.
  • Eis, portanto, os dois princípios necessários, suficientes e não engendrados que explicam o devir:
  1. Matéria (não é nem isto, nem aquilo: pode tornar-se isto ou aquilo).
  2. Forma (o que faz da matéria uma coisa determinada e real; é a alma da coisa; não confundir forma com figura, como a mão de uma estátua, que é apenas a figura de uma mão, e não a forma de uma mão).
  • Aristóteles aproxima os dois princípios, remetendo-os à potência e ao ato:
  1. Matéria é potência, capaz de dois contrários: ser e não-ser. A matéria tem uma disposição para receber a forma, deseja-o.
  2. Forma é ato, é o acabamento natural da matéria.
  • Resumo: o devir deriva do ser-em-potência, intermediário entre o ser e o não-ser.

O ser e a imperfeição

  • Pois é desse ser-em-potência (isto é, da matéria) que origina-se tudo o que é indeterminado e imperfeito porque...
  • A matéria, em certo sentido, resiste à forma.
  • Eis por que as criações da natureza são sempre imperfeitas.
  • Eis por que produzem-se muitas coisas desprovidas de objetivo, dado que nascem pela exclusiva ação de forças mecânicas.
  • Eis por que a matéria é o princípio da contingência dos futuros, pois da matéria origina-se o acaso.
  • O acaso é necessário apenas mecanicamente, mas não por finalidade.
  • Ou seja, o evento fortuito, do ponto de vista da finalidade, é indeterminável e incognoscível.
  • Resumo: a matéria é a causa da imperfeição dos seres, e do mal.

Deus e o devir

  • Explicar o ser atendo-nos a seus elementos próximos não basta.
  • O ser, que está submetido ao devir, só pode ser explicado com base num ser eterno.
  • Existência de Deus se prova:
  1. Popularmente: pela perfeição gradual dos seres e pela finalidade que reina na natureza.
  2. Cientificamente: pela análise das condições do movimento; é o que chamamos de argumento do primeiro motor.
  • Movimento é a relação da matéria com a forma, é mudança.
  • O movimento do mundo é eterno.
  • Portanto, o tempo é necessariamente eterno, pois sem movimento não há tempo.
  • Movimento implica em móvel e motor.
  • Exemplo: o carro é o móvel e seu motor o motor.
  • O mundo, móvel eterno, implica num motor imóvel.
  • Este motor imóvel é o que chamamos Deus.
  • Em suma, há dois princípios que fundam a demonstração da existência de Deus:
  1. O ato é anterior à potência [Apenas com base no atual se pode entender o potencial, J. Ferrater Mora]; Deus é portanto ato puro.
  2. O condicionado (dependente) supõe o incondicionado (independente).

Que é Deus?

  • Deus desempenha o papel de primeiro motor.
  • Deus é ato puro.
  • Deus é isento de indeterminação.
  • Deus é isento de imperfeição.
  • Deus é isento de mudança.
  • Deus é imóvel.
  • Deus é imutável.
  • Deus é o pensamento que tem por objeto tão-somente o pensamento.
  • Deus é vida eterna.
  • Deus excelente.
  • Deus é soberanamente feliz.
  • Deus pensa, movendo o mundo sem mover a si mesmo.

Física Geral

Princípio e objeto de estudo

  • [A Metafísica ocupa-se das causas primeiras. A Física ocupa-se das causas segundas, que operam na natureza] J. Ferrater Mora.
  • A Metafísica tem por objeto o ser imóvel e incorpóreo, Deus (às vezes, Aristóteles mesmo chamava esta ciência de “filosofia teológica”) .
  • A Física tem por objeto o ser móvel e corporal.
  • O princípio fundamental da Física é que Deus e a natureza não fazem nada em vão, que a natureza tende sempre ao melhor e ao mais belo [princípio do melhor].

Deus e a natureza

  • Mas é Deus necessário nesta ordem e harmonia? Não seria a harmonia da natureza fruto do acaso? Não, responde Aristóteles, porque o acaso só é feliz como exceção, e não por regra. E os monstros [corpos de conformação anômala, Aurélio]? Monstros existem porque a natureza se engana, pois ela é constituída de matéria
  • Não importa que não vemos Deus agindo, porque Deus age inteligentemente; é como a arte, também não vemos seu princípio agindo.
  • Ocorre que a natureza é uma causa, mas não é a única. A natureza tem de agir em cooperação com a matéria. E a matéria não se deixa submeter à natureza inteiramente.
  • Então, de um lado, o princípio do melhor é legítimo na explicação das coisas da natureza; este princípio representa a forma ou destinação das coisas.
  • Por outro lado, a natureza é sempre imperfeita em algum ponto, pois é ela constituída de matéria.
  • Portanto, a explicação teleológica (finalista) deve ser empregada para completar a explicação mecânica.

A natureza e o devir

  • O devir (movimento, mudança) é a actualização de um possível.
  • A mudança possui quatro espécies:
  1. Mudança substancial: do nascer ao perecer, do não-ser ao ser, e vice-versa.
  2. Mudança quantitativa: aumento ou diminuição.
  3. Mudança qualitativa: passagem de uma substância a outra.
  4. Mudança espacial: deslocamento.
  • Como é este último que condiciona os outros três, Aristóteles detém-se no estudo dele, analisando a natureza do lugar.
  • O lugar do corpo é o limite interior do corpo ambiente, ou seja, do corpo onde aquele está encerrado.
  • O tempo é o número do movimento.
  • O contínuo é a característica do tempo e do espaço. É divisível ao infinito.
  • Portanto, fora do mundo não há espaço nem tempo.
  • Todas as quatro mudanças estão condicionadas à mudança espacial, mas ela não é a única que explica as mudanças. A mudança qualitativa é irredutível ao espaço, isto é, tem algo a mais, que é a nova substância que se torna.
  • Eis por que Aristóteles põe como princípio a distinção qualitativa das substâncias

Matemáticas

  • As matemáticas lidam apenas com as relações de grandeza, a quantidade e o contínuo, fazendo abstração das outras qualidades físicas.
  • Tratam, assim, das coisas que são imóveis sem existir à parte, essências intermediárias entre o mundo e Deus.
  • O matemático isola, por abstração, a forma da matéria.

Cosmologia

[Teoria geral do mundo, ou do cosmo] J. Ferrater Mora

  • O mundo é belo e bom, tanto quanto o permite a resistência do elemento material.
  • O mundo tem uma forma perfeita: a forma esférica.
  • O mundo compõe-s de duas metades desiguais:
  1. O mundo supralunar ou celeste: onde estão grudadas as estrelas fixas.
  2. O mundo infralunar ou terrestre.
  • A matéria das estrelas é o éter, ou quinto elemento, que é incorruptível.
  • Os outros elementos são corruptíveis.
  • O céu dos planetas é feito de uma substância cada vez menos pura à medida que se afasta do céu das estrelas fixas.

Astronomia

  • Todos os seres celestes são esféricos.
  • O primeiro céu é uma esfera.
  • Os planetas são movidos pelas esferas; a terra é esférica [É como se o planeta fosse a “parte visível” da esfera, mas um ser animado, racional, superior ao homem] Edward.
  • Aristóteles admitia 33 esferas, porém teve de acrescentar 22 esferas (as chamadas esferas antagonistas) para que as esferas dos astros exteriores não interferissem nas esferas dos astros interiores.
  • Total = 55 esferas.

Meteorologia

  • Os fenômenos meteorológicos resultam da ação mútua de quatro elementos.
  • Como esses quatro elementos são corruptíveis, Aristóteles busca para os meteoros explicações empíricas e mecânicas.
  • P.ex.: ventos são movimentos de vapores resultante de diferenças de temperatura.

Biologia

  • A alma é a forma do corpo, isto é, o corpo é o instrumento da alma.
  • A alma vence o corpo pouco a pouco pois, como vimos, a matéria tende a resistir à forma.
  • Este triunfo da alma dá origem a três graus na vida psíquica:
  1. Nutritividade: comum a todos os seres vivos; dela procede a vida e a morte.
  2. Sensibilidade: comum aos animais e ao homem.
  3. Inteligência: exclusiva do homem.

Anatomia e Fisiologia Animais

Anatomia: estrutura dos órgãos
Fisiologia: função dos órgãos
[Aurélio]

Anatomia e Fisiologia Gerais

  • As partes do organismo se dividem em duas espécies:
  1. Homogêneo: veias, ossos, unhas, pêlos, chifres, gordura, sebo, sangue, medula, leite, membranas.
  2. Heterogêneo:coração, diafragma, órgãos dos sentidos, órgãos do movimento, encéfalo.
  • Os sentidos consistem em “ser movido”, “sofrer alterações”, e se dividem em duas espécies:
  1. Sentidos mediatos: atuam por meio do ar: visão, audição e olfato.
  2. Sentidos imediatos: atuam por contato: tato e paladar.
  • Quanto à hereditariedade, Aristóteles ensina que o novo ser (embrião) forma-se de substâncias diferentes dos próprios pais, isto é, da mistura do esperma com o mênstruo resulta o embrião.
  • Do homem nasce a alma e da mulher o corpo.

Anatomia e Fisiologia Comparadas

  • Aristóteles estudou as diferenças e semelhanças orgânicas.
  • Ele elaborou a lei de divisão do trabalho: a natureza, sempre que possível, emprega dois órgãos para duas funções diferentes.
  • Ele estudou também a fisiognomia, isto é, a relação do físico com o moral.

Zoologia

Ciência que trata dos animais [Aurélio]

  • Aristóteles procura classificar os animais basendo-se em suas semelhanças, distinguindo a essência do acidente:
  1. Animais que têm sangue (vertebrados):
    a) Vivíparos verdadeiros
    b) Ovovivíparos
    c) Ovíparos
  2. Animais que não têm sangue (invertebrados):
    a) Moluscos
    b) Crustáceos
    c) Testáceos
    d) Insetos

Psicologia

Ciência que estuda a psique (alma, espírito) e o comportamento. [Definição adaptada do Aurélio]

  • O que diferencia o homem dos outros animais é o núus.
  • Sensação: é a transmissão da forma do objeto ao sujeito: por causa dela, os animais são capazes de prazer e dor e, portanto, de desejos e paixões.
  • Imaginação: é a nova aparição da imagem, pois a sensação durou mais tempo que o limiar.
  • Memória: é a imagem reconhecida como percepção passada.
  • Núus é o conhecimento das causas primeiras; não tem nascimento, é eterno, nunca está passivo (em potência), mas sempre ativo (em ato); não tem órgão; é a inteligência.
  • Funções da alma animal (sensação, imaginação, prazer, dor, memória, desejos, paixões).
  • Núus pathéticos: inferior, passivo, mesclado com a alma animal.
  1. Função teórica: como tabula rasa, funcionando com imagens e influência do núus superior. É o núus superior que liberta da sensação o geral que está nela contido.
  2. Função prática: aplicação das idéias teóricas.
    a) pela produção
    b) pela ação
  • Núus theoréticos, apathos, absoluto, superior: superior; procede a priori, partindo das causas.
  • Vontade: combinação da inteligência (núus) com desejo (alma animal); no entanto, esse desejo pode ser engendrado pela razão (eis a vontade), e não necessariamente apenas pela sensação (isso seria apenas apetite); o desejo fornece fins a realizar, enquanto a inteligência fornece os meios.
  • Livre-arbítrio: é faculdade da autodeterminação, ou seja, justamente a capacidade de decidir entre a vontade (razão) e o apetite (sensação).

Filosofia prática

É a filosofia das coisas humanas. O homem não é um animal, ou seja, tem um fim que não se realiza imediata e necessariamente.

Divide-se em três partes:

1) Ética ou Moral: regra da vida individual
2) Econômica: regra da vida familiar
3) Política: regra da vida social

Moral

  • O bem para um ser vivo está para a plena realização da atividade que lhe é próprio assim como a felicidade para o homem está para a realização da atividade propriamente humana.
  • Felicidade é a constante atividade de nossas faculdades propriamente humanas, isto é, intelectuais; felicidade é a ação guiada pela razão.
  • A virtude é o elemento constitutivo da felicidade.
  • Virtude é um hábito caracterizado pela realização perfeita da parte superior da alma humana, das potências humanas.
  • Virtude é a forma da felicidade.
  • Saúde, beleza, fortuna, filhos, amigos são a matéria da felicidade.
  • A natureza humana é dupla: intelectual (que lida com o necessário) e moral (que lida com o contingente).
  • Há, portanto, dois tipos de virtudes correspondentes à duplicidade da natureza humana:
  1. Virtudes dianoéticas (intelectuais): são os hábitos perfeitos da parte inteligente da alma; são as mais elevadas; dependem de instrução, não da vontade; a ciência (ou contemplação) é a virtude que confere maior felicidade ao homem e é a que está mais próxima da divindade; o órgão da ciência é o núus. Há dois graus de inteligência: a) Inteligência científica, cujas virtudes são o núus (que conhece os primeiros princípios) e a ciência (que deduz desses princípios as verdades particulares); núus+ciência=sapiência. b) Inteligência logística, cujas virtudes são a arte (capacidade de produzir algo em vista de um fim) e o julgamento (inteligência prática).
  2. Virtudes éticas (morais): como as virtudes dianoéticas são muito raras, pois o homem está ligado ao corpo, resta-lhe as virtudes éticas; são hábitos da alma; tendem a escolher a justa medida para a natureza humana e determina o julgamento prático do homem inteligente; são muito numerosas; p.ex.: justiça e amizade.

Econômica

  • A família aumenta o grau de perfeição do indivíduo.
  • Relação entre homem e mulher:
    1) Homem tem autoridade sobre a mulher porque ele é mais perfeito.
    2) Mas a mulher é livre.
    3) Portanto, relação é de amizade e reciprocidade.
  • Relação entre pais e filhos:
    1) Criança não têm direito nenhum porque ela é parte do pai.
    2) Mas pai tem de velar pelo bem do filho.
    3) Portanto, pai deve comunicar sua perfeição ao filho, e o filho deve se apropriar dela.
  • Relação entre senhor e escravo:
    1) Escravidão é necessária e legítima porque escravo é um ser próprio só para trabalhos corporais.
    2) O senhor está para o intelectual assim como o escravo está para o corporal.
    3) O senhor está para a forma assim como o escravo está para a matéria.

Política

Aristóteles trata da política de duas entidades:

1) do Estado

  • Política é o aperfeiçoamento da econômica.
  • Política é a causa final das famílias.
  • Portanto, finalidade do Estado é a felicidade dos cidadãos, velando pelas virtudes e bens interiores, e só depois exteriores.
  • Propriedade e família são úteis ao Estado, pois ele é o todo e aquelas as partes.
  • Portanto, Estado deve regulamentá-las, não eliminá-las.
  • Estado deve educar os cidadãos, visando formar hábitos morais nas crianças, tendo em vista o bem da inteligência: gramática, ginástica, música e desenho; atividades mecânicas e utilitárias devem ser descartadas.

2) das Constituições

  • Para cumprir a finalidade do Estado, são necessários dois órgãos:
    i. Leis, que são a representação prática da razão.
    ii. Magistrado, para os casos precisos e específicos.
  • Há dois tipos de formas de governo:
  1. Formas justa de governo (um só governante = Realeza; muitos governantes = Aristocracia; a maioria governa = Poliarquia).
  2. Forma corrupta de governo (um só governante = Tirania; muitos governantes = Oligarquia; a maioria governa = Democracia).
  • A aristocracia é o melhor porque reúne ordem (somente os de boa situação cultural são cidadãos) e liberdade (muitos cidadãos podem governar).

Retórica

  • Retórica é a aplicação da dialética aos fins da política.
  • Essencial da retórica: os meios oratórios:
  1. Que se relacionam com o assunto:
    - Tem de fazer as afirmações aparecerem verdadeiras
    - Para isso, precisa de provas
    - Quanto às provas: os silogismos da dialética estão para as induções assim como os entimemas da retórica estão para os exemplos
  2. Que se relacionam com o orador:
    - Tem de fazer o orador aparecer dotado de inteligência, probidade e benevolência
    - Que se relacionam com o ouvinte
    - Tem de saber excitar e aplacar paixões
    - Estuda a idade e as disposições da platéia

Estética

Parte da filosofia que lida com a arte.

  • Caracteres essenciais do belo: simetria, coordenação, precisão.
  • Belo é geral, e não particular.
  • A essência da arte é a imitação, pois o homem está propenso a imitar, extraindo prazer disso.
  • Mas o homem imita o quê? A natureza, ou seja, principalmente a essência interna, ideal, das coisas naturais e, também, a aparência externa.
  • As artes produzem um efeito chamado catarse.
  • Catarse é a supressão de uma paixão que dominava e turbava a alma; é um tratamento homeopático.
  • Mas tem de ser uma excitação salutar, que se submete a uma medida e a uma lei.
  • As artes mais elevadas são a poesia e a música.

Poética

  • O que restou de Aristóteles foi praticamente só o estudo da tragédia.
  • Tragédia é a imitação de uma ação séria, completa.
  • Excita o terror e a piedade.
  • Ação deve apresentar não apenas aquilo que necessariamente teria acontecido, mas aquilo que poderia ter acontecido.

Gramática

  • As palavras fundam-se mais num acordo dos homens entre si do que na natureza
    - Portanto, a formação das palavras é mais arbitrária do que analógica.