Deus preside uma assembleia divina composta
por deuses. Tais deuses são espíritos (elohim) sendo Deus/Jeová o Elohim acima de todos os elohim. Tanto
os homens quanto o exército do céu imageiam a Deus, ou seja, são Sua família.
Ambos – homens e deuses – representam a Deus, são filhos de Deus, compartilham
os atributos de Deus. Ocorre que nós, homens, devemos representar a Deus na
terra. Mas um querubim guardião ( “serpente” ou “dragão”, segundo antigas
tábuas mesopotâmicas) rebelou-se contra Javé e foi expulso do Éden. Adão e Eva
também se rebelaram, e a morte foi trazida à terra. Agora todos os homens morreriam.
Deus está na assembleia divina; julga no meio dos deuses. [...] Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. (Salmos 82:1,6)
Terrível é Deus na assembleia dos santos. (Salmos 89:7)
Então ele [Miqueias] disse: Ouve, pois, a palavra de Javé: Vi a Javé assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda. E disse Javé: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra. Então saiu um espírito, e se apresentou diante de Javé, e disse: Eu o induzirei. E Javé lhe disse: Com quê? E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim. Agora, pois, eis que Javé pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e Javé falou o mal contra ti. (1 Reis 22:19-23)
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito [único, exclusivo, ímpar, incomparável, sem igual], para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis 1:27)
Onde estavas tu quando lancei os fundamentos da terra? Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? (Jó 38:4,7)
Nem mesmo de seus santos Deus se fia, e os céus não são puros a seus olhos. (Jó 15:15)
Tu dizias: Escalarei os céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembleia, no extremo norte. Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo. (Isaías 14:13-14)
Tu eras o querubim, ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. (Ezequiel 28:14)
2. A segunda rebelião
Alguns filhos de Deus, ou seja, membros da assembleia
divina, transgrediram a fronteira entre o céu e a terra. Por isso Deus os
lançou no Tártaro (reino dos mortos) e ali permanecerão até o dia do Senhor, o
fim dos dias. Por isso, os demônios que Jesus Cristo encontrou não podem ser os
filhos de Deus que estão presos no Tártaro. Esses demônios são a prole formada
pelo cruzamento dos filhos de Deus com as mulheres, ou seja, são os nefilins,
os gigantes, cujos clãs foram combatidos por Moisés e Josué. Os descendentes
dos nefilins são também chamados de “anakins” e “refains”. Autores judaicos
extra-bíblicos acreditavam que os demônios, como aqueles descritos nos
evangelhos, eram espíritos desencarnados dos gigantes. Eles tomavam como base a
menção que se faz na Bílbia aos refrains mortos no submundo e em livros judaicos
como 1 Enoque e o Livro dos Gigantes (Manuscritos
do Mar Morto)
Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas. [...] Havia naqueles dias nefilins na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos. (Gênesis 6:2,4)
Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no Tártaro, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé. (2 Pedro 2:4-5)
Aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, [o Senhor] reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia. (Judas 1:6)
Eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos. (Amós 2:9)
3. A terceira rebelião
Os filhos de Adão, a humanidade, rebelou-se
contra Deus e procurou atingir os céus por meio de uma torre. Deus confundiu
sua língua e, em Babel, dividiu a humanidade em nações. Em resposta a tal
rebelião, essas nações foram entregues aos membros da assembleia divina para
que as governassem, e é por isso que as antigas nações adoravam a outros
deuses. Mas esses deuses falharam e não governaram com a devida justiça, e por isso
Deus também os condenará à morte. Os estudiosos chamam este fenômeno de “geografia
cósmica”, ou seja, as nações em torno de Israel, dominada por deuses hostis (ou
“príncipes”) que influenciavam a geopolítica dessas nações. O príncipe de
Israel é Miguel, e é notável que há, por trás dos impérios visíveis uma batalha
invisível em andamento. No entanto, Israel era a terra santa, o local designado
para que Javé vivesse com seu povo, como era no Éden. Mas este local, esta
relação, estava perdida. Deus não mais tinha relação com os homens.
Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus. [...] E o Senhor disse [...] “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro”. Por isso se chamou o seu nome Babel. (Gênesis 11:4,6-7,9)
Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel. Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança. (Deuteronômio 32:8,9)
Deus está na assembleia divina; julga no meio dos deuses. “Até quando julgareis iniquamente, favorecendo a causa dos ímpios?” (Salmos 82:1,2)
Eu disse: Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo. Contudo, morrereis como simples homens e, como qualquer príncipe, caireis. (Salmos 82:6,7)
Porque a indignação de Javé está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas. [...] E todo o exército dos céus se dissolverá; e todo o seu exército cairá. (Isaías 34:2,4)
E será que naquele dia o Senhor castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. (Isaías 24:21)
Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me. (Daniel 10:13)
Agora, pois, tornarei a pelejar contra o príncipe da Pérsia; ...eis que virá o príncipe de Javã [Grécia]...e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe. (Daniel 10:20,21)
E disse Naamã: Se não queres, dê-se a este teu servo uma carga de terra que baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão a Javé. (2 Reis 5:17)
4. A velha aliança
Para restaurar a relação com os homens,
Javé a lançou com um homem chamado Abraão. No entanto desta vez Javé não se
limitou a falar desde os céus, mas apareceu fisicamente a Abraão (e a Isaque e a
Jacó) como homem. Visões não são apenas “miragens” ou “alucinações”, mas coisas
reais que se veem: elas se sentavam, falavam, andavam. Javé aparecia frequentemente
como o “anjo de Javé” (anjo do Senhor). Há ainda dois conceitos que são
associados ao anjo: a palavra e o nome. Ambos são descritos como pessoas, ou
seja, como a presença do próprio Javé. O fato de Javé ter aparecido como homem
aos judeus os preparou para receber Javé como homem em Jesus Cristo.
Deus lhes deu uma lei (613 leis na verdade),
mas não era através da lei que obtinham a salvação. A lei os ajudava a viver em
harmonia com Deus e entre si. A salvação, entretanto, era obtida mediante a
crença de que Javé era o Deus de todos os deuses. Os judeus tinham de negar a
adoração a qualquer outro deus que não fosse Javé.
Em especial, nesses tempos de geografia
cósmica, Javé estabeleceu nas leis um espaço santo, que deveria ser
especialmente preparado e purificado para distingui-lo de um espaço normal. Esse
espaço santo deveria lembrar aos israelitas do Jardim do Éden.
O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; o anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes. (Gênesis 48:15,16)
Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado... Não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebeldia; porque o meu nome está nele. (Êxodo 23:20,21)
Eis que o nome de Javé vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga. (Isaías 30:27)
E Moisés...chegou ao monte..e apareceu-lhe o anjo de Javé em uma chama de fogo do meio de uma sarça; e vendo Javé que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça. (Êxodo 3:1-2,4)
Manifestei o teu nome aos homens. (João 17:6)
E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma sorte por Javé, e a outra sorte por Azazel. Mas o bode, sobre que cair a sorte por Azazel, apresentar-se-á vivo perante Javé, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como Azazel. (Levítico 16:8,10)
5. A nova aliança
No novo testamento ocorrerá o mesmo: os
homens deverão crer que Jesus Cristo é o Senhor dos senhores e que morreu na
cruz para que os homens possam voltar a unir-se a Ele. Porém, tal estratégia
divina era desconhecida dos “príncipes deste mundo”, ou seja, dos deuses
inferiores de Babel, e até mesmo dos apóstolos. E o mais importante: a salvação
agora não deveria estar à disposição somente do “povo de Javé”, mas a toda a
humanidade, a todos os que estavam sob o domínio de Satanás e dos deuses das
nações.
Aos apóstolos, no entanto, houve um evento
específico no qual Jesus Cristo revelou quem Ele realmente era. Trata-se da transfiguração
no Monte Hermon, numa região conhecida no VT como Bashan. Os cananeus
acreditavam que nesta montanha ou “rocha” havia portais para o submundo, as
tais “portas do inferno”. Em alguns dos manuscritos do Mar Morto, que datam dos
tempos de Jesus Cristo, o Monte Hermon era o local onde os filhos de Deus
desceram à terra antes do dilúvio. Bashan e Hermon eram, portanto, o “marco
zero” dos poderes cósmicos malignos, e obviamente muito significativo o fato de
Jesus estar literalmente às portas do inferno declarando que não prevalecerão
sobre a ecclesia.
Em seguida Jesus disse a seus discípulos que
precisava ir a Jerusalém para morrer. Os discípulos não entenderam, mas era
hora de cumprir o plano de Deus. Diante de Caifás, Jesus Cristo declarou que Ele
era quem haviam dito dEle: o Cristo, o Filho de Deus e que, ademais, o viriam sobre
as nuvens do céu. Para Caifás tal declaração era uma blasfêmia porque Jesus
estava citando uma expressão do Velho Testamento (“nuvens do céu”) que era usada
apenas em alusão ao próprio Deus (por exemplo, no salmo 104:3). Ademais, no VT
a chegada de Deus era associada ao fogo, ao vento violento. Foi precisamente o
que se viu em Pentecostes. E também em Pentecostes ficou claro, com o fenômeno
dos vários povos entenderem em suas línguas, que a salvação agora estava
disponível a todos porque a soberania de Jesus Cristo, após vencer a morte,
recaía sobre todas as nações. As línguas que antes dividiam as nações agora
estavam formalmente superadas. Pentecostes foi como um “tapa na cara” nos
deuses das nações porque sua autoridade foi anulada.
O Apóstolo Paulo, sabendo agora que todas
as nações deveriam receber o evangelho, fez questão de dirigir-se até os
confins do Império Romano: a Espanha. Este fato foi esclarecido por São
Clemente de Roma (5:7), ainda no século I, quando disse que São Paulo
dirigiu-se até os limites do ocidente. O espaço sagrado de Deus, antes algo
geográfico, agora está no corpo de cada homem. Todo crente em Jesus Cristo é
espaço sagrado agora.
Mediante a fé em Jesus Cristo somos levados
à salvação: compartilharemos a natureza divina e escapamos da corrupção que existe
no mundo. Seremos como deuses, teremos um corpo como o que Jesus teve após a
ressurreição e, com os membros fiéis do exército do céu, faremos parte da
família de Deus e o adoraremos para sempre. Uma nova terra será erigida na qual os novos
deuses, em substituição aos deuses caídos, seremos nós, os fiéis em Jesus
Cristo. O céu voltará à terra, e uma sociedade entre Deus e os homens será
restaurada, o próprio Éden.
Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. (1 Coríntios 2:7,8)
E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás! (Mateus 16:22,23)
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome. (João 1:12)
Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. (João 12:31,32)
Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles... E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi. (Marcos 9:2,7)
Disse-lhe o sumo sacerdote: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. (Mateus 26:63,64)
Um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã... e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno. (Daniel 7:9,14)
E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas. (Atos 2:2-4)
Se abriram os céus, e eu tive visões de Deus... Um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela. (Ezequiel 1:1,4)
É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações. (Mateus 28:18,19)
Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. (Romanos 15:28)
O vosso corpo é o templo do Espírito Santo. (1 Coríntios 6:19)
Ele [Jesus Cristo] não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da assembleia. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. (Hebreus 2:11-13)