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18 de agosto de 2025

As três rebeliões, a geografia cósmica e a nova aliança


1. A primeira rebelião

Deus preside uma assembleia divina composta por deuses. Tais deuses são espíritos (elohim) sendo Deus/Jeová o Elohim acima de todos os elohim. Tanto os homens quanto o exército do céu imageiam a Deus, ou seja, são Sua família. Ambos – homens e deuses – representam a Deus, são filhos de Deus, compartilham os atributos de Deus. Ocorre que nós, homens, devemos representar a Deus na terra. Mas um querubim guardião ( “serpente” ou “dragão”, segundo antigas tábuas mesopotâmicas) rebelou-se contra Javé e foi expulso do Éden. Adão e Eva também se rebelaram, e a morte foi trazida à terra. Agora todos os homens morreriam.

Deus está na assembleia divina; julga no meio dos deuses. [...] Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. (Salmos 82:1,6)

Terrível é Deus na assembleia dos santos. (Salmos 89:7)

Então ele [Miqueias] disse: Ouve, pois, a palavra de Javé: Vi a Javé assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda. E disse Javé: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra. Então saiu um espírito, e se apresentou diante de Javé, e disse: Eu o induzirei. E Javé lhe disse: Com quê? E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim. Agora, pois, eis que Javé pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e Javé falou o mal contra ti.  (1 Reis 22:19-23)

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito [único, exclusivo, ímpar, incomparável, sem igual], para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis 1:27)

Onde estavas tu quando lancei os fundamentos da terra? Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? (Jó 38:4,7)

Nem mesmo de seus santos Deus se fia, e os céus não são puros a seus olhos. (Jó 15:15)

Tu dizias: Escalarei os céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembleia, no extremo norte. Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo. (Isaías 14:13-14)

Tu eras o querubim, ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. (Ezequiel 28:14)

2. A segunda rebelião

Alguns filhos de Deus, ou seja, membros da assembleia divina, transgrediram a fronteira entre o céu e a terra. Por isso Deus os lançou no Tártaro (reino dos mortos) e ali permanecerão até o dia do Senhor, o fim dos dias. Por isso, os demônios que Jesus Cristo encontrou não podem ser os filhos de Deus que estão presos no Tártaro. Esses demônios são a prole formada pelo cruzamento dos filhos de Deus com as mulheres, ou seja, são os nefilins, os gigantes, cujos clãs foram combatidos por Moisés e Josué. Os descendentes dos nefilins são também chamados de “anakins” e “refains”. Autores judaicos extra-bíblicos acreditavam que os demônios, como aqueles descritos nos evangelhos, eram espíritos desencarnados dos gigantes. Eles tomavam como base a menção que se faz na Bílbia aos refrains mortos no submundo e em livros judaicos como 1 Enoque e  o Livro dos Gigantes (Manuscritos do Mar Morto)

Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas. [...] Havia naqueles dias nefilins na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos. (Gênesis 6:2,4)

Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no Tártaro, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé. (2 Pedro 2:4-5)

Aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, [o Senhor] reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia. (Judas 1:6)

Eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos. (Amós 2:9)

3. A terceira rebelião

Os filhos de Adão, a humanidade, rebelou-se contra Deus e procurou atingir os céus por meio de uma torre. Deus confundiu sua língua e, em Babel, dividiu a humanidade em nações. Em resposta a tal rebelião, essas nações foram entregues aos membros da assembleia divina para que as governassem, e é por isso que as antigas nações adoravam a outros deuses. Mas esses deuses falharam e não governaram com a devida justiça, e por isso Deus também os condenará à morte. Os estudiosos chamam este fenômeno de “geografia cósmica”, ou seja, as nações em torno de Israel, dominada por deuses hostis (ou “príncipes”) que influenciavam a geopolítica dessas nações. O príncipe de Israel é Miguel, e é notável que há, por trás dos impérios visíveis uma batalha invisível em andamento. No entanto, Israel era a terra santa, o local designado para que Javé vivesse com seu povo, como era no Éden. Mas este local, esta relação, estava perdida. Deus não mais tinha relação com os homens.

Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus. [...] E o Senhor disse [...] “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro”. Por isso se chamou o seu nome Babel. (Gênesis 11:4,6-7,9)

Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel. Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança. (Deuteronômio 32:8,9)

Deus está na assembleia divina; julga no meio dos deuses. “Até quando julgareis iniquamente, favorecendo a causa dos ímpios?” (Salmos 82:1,2)

Eu disse: Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo. Contudo, morrereis como simples homens e, como qualquer príncipe, caireis. (Salmos 82:6,7)

Porque a indignação de Javé está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas. [...] E todo o exército dos céus se dissolverá; e todo o seu exército cairá. (Isaías 34:2,4)

E será que naquele dia o Senhor castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. (Isaías 24:21)

Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me. (Daniel 10:13)

Agora, pois, tornarei a pelejar contra o príncipe da Pérsia; ...eis que virá o príncipe de Javã [Grécia]...e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe. (Daniel 10:20,21)

E disse Naamã: Se não queres, dê-se a este teu servo uma carga de terra que baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão a Javé. (2 Reis 5:17)

4. A velha aliança

Para restaurar a relação com os homens, Javé a lançou com um homem chamado Abraão. No entanto desta vez Javé não se limitou a falar desde os céus, mas apareceu fisicamente a Abraão (e a Isaque e a Jacó) como homem. Visões não são apenas “miragens” ou “alucinações”, mas coisas reais que se veem: elas se sentavam, falavam, andavam. Javé aparecia frequentemente como o “anjo de Javé” (anjo do Senhor). Há ainda dois conceitos que são associados ao anjo: a palavra e o nome. Ambos são descritos como pessoas, ou seja, como a presença do próprio Javé. O fato de Javé ter aparecido como homem aos judeus os preparou para receber Javé como homem em Jesus Cristo.

Deus lhes deu uma lei (613 leis na verdade), mas não era através da lei que obtinham a salvação. A lei os ajudava a viver em harmonia com Deus e entre si. A salvação, entretanto, era obtida mediante a crença de que Javé era o Deus de todos os deuses. Os judeus tinham de negar a adoração a qualquer outro deus que não fosse Javé.

Em especial, nesses tempos de geografia cósmica, Javé estabeleceu nas leis um espaço santo, que deveria ser especialmente preparado e purificado para distingui-lo de um espaço normal. Esse espaço santo deveria lembrar aos israelitas do Jardim do Éden.

O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; o anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes. (Gênesis 48:15,16)

Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado... Não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebeldia; porque o meu nome está nele. (Êxodo 23:20,21)

Eis que o nome de Javé vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga. (Isaías 30:27)

E Moisés...chegou ao monte..e apareceu-lhe o anjo de Javé em uma chama de fogo do meio de uma sarça; e vendo Javé que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça. (Êxodo 3:1-2,4)

Manifestei o teu nome aos homens. (João 17:6)

E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma sorte por Javé, e a outra sorte por Azazel. Mas o bode, sobre que cair a sorte por Azazel, apresentar-se-á vivo perante Javé, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como Azazel. (Levítico 16:8,10)

5. A nova aliança

No novo testamento ocorrerá o mesmo: os homens deverão crer que Jesus Cristo é o Senhor dos senhores e que morreu na cruz para que os homens possam voltar a unir-se a Ele. Porém, tal estratégia divina era desconhecida dos “príncipes deste mundo”, ou seja, dos deuses inferiores de Babel, e até mesmo dos apóstolos. E o mais importante: a salvação agora não deveria estar à disposição somente do “povo de Javé”, mas a toda a humanidade, a todos os que estavam sob o domínio de Satanás e dos deuses das nações.

Aos apóstolos, no entanto, houve um evento específico no qual Jesus Cristo revelou quem Ele realmente era. Trata-se da transfiguração no Monte Hermon, numa região conhecida no VT como Bashan. Os cananeus acreditavam que nesta montanha ou “rocha” havia portais para o submundo, as tais “portas do inferno”. Em alguns dos manuscritos do Mar Morto, que datam dos tempos de Jesus Cristo, o Monte Hermon era o local onde os filhos de Deus desceram à terra antes do dilúvio. Bashan e Hermon eram, portanto, o “marco zero” dos poderes cósmicos malignos, e obviamente muito significativo o fato de Jesus estar literalmente às portas do inferno declarando que não prevalecerão sobre a ecclesia.

Em seguida Jesus disse a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém para morrer. Os discípulos não entenderam, mas era hora de cumprir o plano de Deus. Diante de Caifás, Jesus Cristo declarou que Ele era quem haviam dito dEle: o Cristo, o Filho de Deus e que, ademais, o viriam sobre as nuvens do céu. Para Caifás tal declaração era uma blasfêmia porque Jesus estava citando uma expressão do Velho Testamento (“nuvens do céu”) que era usada apenas em alusão ao próprio Deus (por exemplo, no salmo 104:3). Ademais, no VT a chegada de Deus era associada ao fogo, ao vento violento. Foi precisamente o que se viu em Pentecostes. E também em Pentecostes ficou claro, com o fenômeno dos vários povos entenderem em suas línguas, que a salvação agora estava disponível a todos porque a soberania de Jesus Cristo, após vencer a morte, recaía sobre todas as nações. As línguas que antes dividiam as nações agora estavam formalmente superadas. Pentecostes foi como um “tapa na cara” nos deuses das nações porque sua autoridade foi anulada.

O Apóstolo Paulo, sabendo agora que todas as nações deveriam receber o evangelho, fez questão de dirigir-se até os confins do Império Romano: a Espanha. Este fato foi esclarecido por São Clemente de Roma (5:7), ainda no século I, quando disse que São Paulo dirigiu-se até os limites do ocidente. O espaço sagrado de Deus, antes algo geográfico, agora está no corpo de cada homem. Todo crente em Jesus Cristo é espaço sagrado agora.

Mediante a fé em Jesus Cristo somos levados à salvação: compartilharemos a natureza divina e escapamos da corrupção que existe no mundo. Seremos como deuses, teremos um corpo como o que Jesus teve após a ressurreição e, com os membros fiéis do exército do céu, faremos parte da família de Deus e o adoraremos para sempre.  Uma nova terra será erigida na qual os novos deuses, em substituição aos deuses caídos, seremos nós, os fiéis em Jesus Cristo. O céu voltará à terra, e uma sociedade entre Deus e os homens será restaurada, o próprio Éden.

Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. (1 Coríntios 2:7,8)

E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás! (Mateus 16:22,23)

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome. (João 1:12)

Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. (João 12:31,32)

Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles... E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi. (Marcos 9:2,7)

Disse-lhe o sumo sacerdote: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. (Mateus 26:63,64)

Um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã... e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno. (Daniel 7:9,14)

E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas. (Atos 2:2-4)

Se abriram os céus, e eu tive visões de Deus... Um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela. (Ezequiel 1:1,4)

É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações. (Mateus 28:18,19)

Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. (Romanos 15:28)

O vosso corpo é o templo do Espírito Santo. (1 Coríntios 6:19)

Ele [Jesus Cristo] não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da assembleia. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. (Hebreus 2:11-13)

Fonte: Michael Heiser, The Unseen Realm - documentary film with Dr. Michael S. Heiser, YouTube, 2022.

12 de agosto de 2025

Batismo


No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, pela circuncisão de Cristo; sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. (Colossenses 2:11-12)

Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis; antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam da vossa boa conduta em Cristo. Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal. Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água; que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo; o qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências. (1 Pedro 3:14-22)

E um certo Ananias, homem piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi. E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo e ouças a voz da sua boca. Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor. (Atos 22:12-16)

E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. (Atos 2:38)

Vê-se que batismo e circuncisão estão intimamente interligados. O que se diz da circuncisão tem de ser dito do batismo. No entanto, a circuncisão em momento algum do VT tem a ver com “renascimento”, “remissão dos pecados”, “garantia da fé” etc. Aliás, as pessoas circuncidadas nem mesmo eram questionadas a respeito de sua fé, ou da falta dela.

A circuncisão era apenas e tão-somente um sinal visível que servia de lembrança de que a graça de Deus foi concedida a Abraão e à sua descendência. Ela não garantia, nem tinha nada a ver com, “salvação”. A circuncisão era uma maneira de admitir os homens à comunidade daqueles que conheciam a verdade sobre Javé, o único e verdadeiro Deus. Era um sinal visível, mas que em momento algum poderia substituir o “coração circuncidado”, ou seja, um coração crente nas promessas de Javé e na adoração que lhe era devida. Em suma, a circuncisão era importante porque somente essa comunidade, a dos israelitas, possuía a verdade, aquilo que São Paulo chamava de “oráculos de Deus”, o caminho para a salvação, e era mediante a circuncisão que o membro poderia ter acesso a tais oráculos. (Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, os oráculos de Deus lhe foram confiados. Romanos 3:1-2).

O batismo tem, ou deveria ter, a mesmíssima função: um sinal visível de inclusão. A pessoa sendo batizada poderá ter acesso aos oráculos de Deus e ouvir a verdade naquela ecclesia. Em 1 Pedro citada acima, o batismo é apresentado como um juramento de lealdade a Jesus Cristo na batalha cósmica. Nesse trecho, São Pedro faz uma alusão tipológica (analógica) com os anjos caídos relatados em Gênesis 6: eis por que as antigas fórmulas batismais incluíam a renúncia a Satanás e seus anjos caídos.

De qualquer forma, o batismo nunca foi entendido como um ritual que predispõe ou inclina a pessoa à salvação. Pelo contrário, o que é realmente central à salvação é a fé, o arrependimento, a decisão de fazer parte do exército de Jesus Cristo, e todos os demais elementos (como se pode ver em Atos 2:38) se conectam perifericamente a tal postura.

Fonte: Michael Heiser, Baptism, YouTube, 2016.

11 de agosto de 2025

A ceia do Senhor


Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior. Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio. E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós. De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se. Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo. Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros. (I Coríntios 11:17-33)

E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. (Mateus 26:26-28)

E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado. (Marcos 14:22-24)

E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós. (Lucas 22:19-20)

No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os seus discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos. (Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças). Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus. E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui? Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou. Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou. Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu, eu perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu? Respondeu, pois, Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer? Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não como de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. Ele disse estas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não creem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. (João 6:22-65)

Os três evangelhos sinóticos tratam da Última Ceia, mas o capítulo 6 do evangelho de João não trata da Útima Ceia. Boa parte da confusão sobre transubstanciação, presença real de Cristo no pão e no vinho etc. vem daí. Está claro, pelos trechos desse capítulo 6, que o cristão não tem de comer Jesus Cristo, mas crer em Jesus Cristo. A crença em Jesus Cristo era o pão e não o pão era Jesus Cristo (“A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou”). Em outras palavras, o “comer” é crer, e não comer algum alimento propriamente. A vida eterna não vem de um pão divinizado, mas da crença em Jesus Cristo. A fome e a sede são saciados mediante a crença em Jesus Cristo, não pelo consumo de algum alimento (a despeito de tal alimento poder ou não ser transformado ou transubstanciado ou simbolizado ou o que quer que seja em Jesus Cristo). O pão e o vinho são apenas analogias da fé em Jesus.

Quanto ao que diz o Apóstolo Paulo em I Coríntios 11, o que recebemos da ceia é precisamente aquilo que os sacerdotes do VT recebiam, aos quais o próprio apóstolo alude nos capítulos anteriores: comunidade com Deus, o que nos causa uma grande gratidão, uma “ação de graças” por nossos pecados terem já sido perdoados pela oferta sacrificial. Portanto, a Santa Ceia é referida analogicamente pelo apóstolo como aquilo que não salva, como aquilo que não contribui para a salvação, precisamente porque o que salva é a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ademais, nota-se que a ceia não era apenas um pequeno pedaço de pão ou um pequeno trago de vinho, mas uma refeição completa, tão completa que alguns chegavam ao ponto de se empanturrarem e se embriagarem.

Por fim, observa-se que o apóstolo conecta a comunhão à Última Ceia, e não a João 6 (lembremos que a Última Ceia é relatada por São João em seu evangelho apenas muito mais tarde, no capítulo 13) o que significa dizer que a única função da comunhão é comemorar (ou “rememorar”, ou “fazer em memória de”) a morte e ressurreição de Jesus Cristo até que Ele venha de novo (aliás, somente em Lucas ela é citada realmente). Em nenhum momento o apóstolo afirma, nem mesmo alude, a ideia de que a comunhão deva servir como veículo da graça salvífica ou qualquer outro tipo de “transubstanciação” ou “consubstanciação”. A maneira digna de se portar da ceia é não se empanturrar, não se embriagar, não provocar divisões e não humilhar os outros, sobretudo os pobres, simples assim. Quando o apóstolo diz para “discernir o corpo do Senhor” o que devemos entender é que aquela igreja, a igreja de Corinto, é o corpo do Senhor, e ninguém nela deve ser segregado, humilhado, desprezado etc. A ceia do Senhor não é para aplacar os famintos – para isso eles têm suas próprias casas –, de maneira que os menos favorecidos não sejam humilhados e escanteados por esses famintos. Eis tudo.

Fonte: Michael Heiser, The Lord's Supper, YouTube, 2016.

13 de dezembro de 2019

O Reino invisível




Velho Testamento

No principio Deus (Yahweh) criou o mundo e o primeiro homem consultando Seu concílio divino (ou assembleia divina), composto por elohim (deuses, habitantes do mundo espiritual). O homem é criado como imagem de Deus, ou seja, não somente com atributos que O refletem (razão, vontade etc.), mas com um status de representante de Deus. Ele quer que sejamos Deus na Terra. O homem foi criado como um ser “um pouco inferior aos elohim”, mas também habita o Éden junto com os elohim.

A Terra, segundo Deus e seu concílio, deveria ser como o Éden. Esta é a missão confiada à humanidade. No entanto, como seres criados com liberdade (livre arbítrio), e não como meros autômatos, as coisas podiam, e deram, errado. Em princípio alguns elohim (deuses) tentaram ajudar, mas quando se encarnaram não conseguiram resistir aos impulsos da carne. Assim foram criados os nephilim, que são gigantes cujos pais são deuses. Para salvar a humanidade destes seres nefastos, não ligados ao elohim Yahweh, Deus decide com Seu concílio enviar um Dilúvio e a salvar Noé e seus próximos, uma vez que são irrepreensíveis por conservar perfeita linhagem com Adão e Eva e, portanto, com Yahweh.

Se dá início ao conflito que durará todo o Velho Testamento, a saber, o conflito entre rebeldes divinos (a “semente de nachshash”) e a humanidade.

A seguinte ação tomada por Deus e o concílio divino foi a dissuasão da Torrre de Babel, o que mostra que o Dilúvio não deu certo, no sentido de que nephilim, ou sua descendência de clãs de gigantes, continuavam a habitar a Terra. Ou o dilúvio não foi global, mas apenas local, ou o método de conceber novos nephilim através de relações sexuais com seres humanos continuou depois do Dilúvio.

A Torre de Babel foi uma tentativa de construir um ziggurat, ou seja, um ponto de contato direto entre os elohim inferiores e a humanidade, o que intensificaria e perpetuaria o governo dos deuses das nações da Torre de Babel em detrimento do governo de Yahweh.

Com a destruição da Torre de Babel, Yahweh mudaria de estratégia. Ele vai travar uma relação de aliança com um povo que ainda não existia: Israel. As demais nações foram colocadas sob a autoridade e adoração de elohim inferiores do concílio divino, ou seja, de deuses inferiores.

Assim que a história do restante do Velho Testamento será Israel vs. as nações deserdadas, Yahweh vs. os deuses das nações. Para auxiliar Seu povo, Yahweh por diversas vezes lhes aparece como dois Yahweh, qual seja, um invisível e no céu, o outro manifesto na Terra em diversas formas, inclusive em forma humana. O Êxodo, assim, assume os contornos de uma “nova criação”.

A aliança feita por Yahweh no Sinai é de que Israel deveria ser santa e cumprir o propósito edênico original de expandir o reinado de Yahweh por todas as nações. Moisés pede permissão aos filhos de Lot e Esaú, que já ocupavam parte da Transjordânia, para passar por suas terras a fim de destruir a última área que ainda estava sob domínio dos nephilim: Bashan, as “portas do inferno”, onde também se localiza o Monte Hermón. A coexistência com os nephilim e seus clãs de gigantes era impossível: eles não são da linhagem de Yahweh e não podem ser tolerados.

No entanto, a apostasia de Seu povo (Israel) impeliu a Yahweh a mudar Sua estratégia. Ele não podia continuar dependendo da humanidade para cumprir Sua vontade edênica. Ele teria que tornar-Se homem e habitar o coração de Seus filhos. Habitar um tabernáculo ou um templo não era suficiente. No entanto, no Velho Testamento este plano messiânico não estava claro. Se as forças das trevas soubessem do plano messiânico jamais teriam matado a Jesus Cristo. Tão secreto era o plano que nem mesmo os anjos o conheciam.

Novo Testamento

O chamado de São João Batista é um indício claro que de o concílio divino se reuniu novamente, decidindo lançar o reino de Deus através do segundo Yahweh, dessa vez encarnado. Um novo Êxodo se inicia, mas a missão deste Filho de Deus é levar o reino de Deus não somente ao povo de Israel, mas aos povos sob domínio dos deuses das nações, dos elohim inferiores da Torre de Babel.

A jornada de Jesus Cristo no deserto é uma demonstração clara da “guerra santa” que seria travada. Satanás, ao tentar-Lo a receber as nações deserdadas, presumia que tinha poder e autoridade sobre algo que, em última instância, não é seu, mas de Yahweh. A mensagem foi clara: Yahweh vai reaver as nações que, originalmente, são Suas.

A partir daí, Yahweh encarnado escolhe seus primeiros discípulos e, curiosamente, pela primeira vez na Bíblia, se tem notícia de um demônio sendo expulso (Marcos 1:16-28). Em seguida, Cristo escolhe doze discípulos, em relação direta às doze tribos de Israel, e envia setenta discípulos, em relação direta às setenta nações deserdadas mencionadas em Gênesis 10.

Em Cesareia de Filipe, no trecho mencionado em Mateus 16:13-20, Jesus Cristo menciona uma “pedra”, ou seja, precisamente a montanha na qual estava ele localizado. Trata-se, novamente, do Monte Heróm, uma clara indicação de que os deuses das nações é que estavam sob ameaça. Muitos acreditam que o Monte da Transfiguração, no qual Cristo revelou a São Pedro, Tiago e João, exatamente quem Ele era: a essência de Yahweh encarnado, é o Monte Heróm, e não o Monte Tabor. O inimigo sabe quem é Jesus Cristo, mas não sabe qual é Seu plano.

Conta-se que Jesus Cristo, no momento de sua agonia e morte, estava cercado pelos “touros de Bashan”. Ora, são nada mais nada menos que os elohim demoníacos, os inimigos de Yahweh e seus filhos nos últimos milênios.

O Apóstolo Paulo queria muito ir à Espanha (Tarshish) porque ele via seu ministério como o cumprimento da profecia de Isaías 66. Ele precisava da Espanha para que “seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Romanos 15:16).

Mas como Deus pode fazer um gentio tornar-se um membro pleno de Sua família? É sua obra na Cruz que faz com que os exilados e deserdados se encontrem e formem uma nova entidade. Somos irmãos de Cristo, e cada um de nós estará com Ele no concílio dos elohim, a Seu lado. A missão de transpor o Céu e a Terra, de administrar o mundo de Deus, continua sendo de Sua família humana, e não de Sua família divina. Mas para isso Deus quer elevar a humanidade, criada um pouco inferior aos elohim, e incluir-la em Sua família para que a partir daí tome conta da Terra.

Para tornar-se membro desta família divina é necessário tornar-se divino. É o que se chama de theosis. Você é um espaço sagrado, você é um templo de Deus, tanto individualmente como corporealmente. O batismo é apenas uma declaração de lealdade ao Salvador ressuscitado, não é em si garantia de glorificação.

O conflito final ocorrerá em Jerusalém. Har-magedon é Jerusalém. Os exércitos do céu que testemunharão a derrota final do Anticristo e suas hordas é composto por elohim fiéis a Yahweh e por seres humanos divinizados. Chegará o dia em que os homens julgarão até mesmo os anjos.

Assim, o Reino está pronto para a realização completa e total na Terra, sob um concílio de deuses restaurado, em cujos membros se incluem fiéis glorificados. Estes fiéis terão o mesmo corpo que Jesus assumiu após a ressurreição.

Fonte: Michael S. Heiser, The Unseen Realm, Lexham Press, Bellingham, WA, EUA, 2015.

Imagem: Concílio de deuses antes do Dilúvio. Virgil Solis para o Livro I da Metamorfose de Ovídio, 162-208. Fol. 4v, imagem 7.