Mas tudo não
passa de preconceito. O erudito é, sim, originalmente alguém que se dedica à
vida intelectual, mas não apenas do ponto de vista “cognitivo”. É precisamente
assim que Gilson descreve o erudito. O homem erudito é aquele cuja vida
intelectual é parte de sua vida moral. Evidentemente que o esforço intelectual e o crescimento da inteligência são partes fundamentais da vida erudita. Mas o modo como o
conhecimento é possuído vale ainda mais do que a quantidade de conhecimento em si.
A virtude número
1 do erudito é a honestidade intelectual. Em termos práticos, o erudito/intelectual
tem um respeito escrupuloso pela verdade. Aqui, claro, está presente a
humildade ou, como queiram, submissão à verdade. Por exemplo, alguns filósofos medievais
aceitavam prima facie tudo o que liam de Aristóteles, enquanto alguns filósofos
modernos, ao rejeitarem o pensamento medieval, rejeitaram prima facie tudo o que
vinha de Aristóteles. É claro que ambas as posturas são condenáveis porque ambas atentam contra a virtude da
honestidade intelectual.
Como diria
Gilson, a verdade vos libertará, mas a submissão à verdade vos tornará grandiosos.
Fonte: Étienne Gilson, El amor a la sabiduría,
Ediciones Rialp, Madrid, Espanha, 2015.
