14 de dezembro de 2019

Santa Elizabeth, a Nova Mártir



Vim a conhecer um dos lados desta vida graças às minhas antigas responsabilidades. Isto é o que se chama “sociedade”. Fiz o que pude por essas pessoas. Talvez eu tenha cumprido mal minhas responsabilidades. Tentei ajudar meu marido em sua vida e nestas reponsabilidades que ele cumpria (a ribalta, as celebrações...). Eu sinceramente acreditava que deveria ajudá-lo, e fiz tudo isso com alegria, com o sentimento de que estava levando felicidade aos outros; todos gostavam dos nossos encontros. Ali eu via muitos rostos felizes. Você acha que eu quero julgar a sociedade ou que já a estou julgando? Mesmo antes eu já observava que as pessoas ricas, jovens, ambiciosas, essas que pensam só em divertimentos, não sofrem, ou, quando sofrem, como é difícil consolá-las – esta genuflexão ante o bezerro dourado, ante sua própria persona – que sofrimento tão obscuro e impenetrável!

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O Senhor conhece nossas fraquezas, mas também nossos talentos. E dá a cada um de acordo com suas habilidades (Mateus 25:15). Recordemos a parábola dos talentos de Mateus, capítulo 25, e como Ele foi rigoroso, Ele que é sempre tão misericordioso, e castigou o servo, que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade... E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá (Lucas 12:47-48).

Que assustador lembrar-se destas palavras! Humilhando-nos e batendo forte em nosso peito, dizemos "Deus, tem piedade de nós, pecadores".

O Senhor, porém, encara os pecados humanos de maneira diferente. Por esse motivo, grandes combatentes e santos, que a nós parecem sem pecado, choravam por eles. Quanto mais nos aproximamos do Sol (Deus), mais evidentes se tornam as manchas, e eis porque os pecados são relativos a cada pessoa Ninguém se atreveria a dizer “este ladrão é pior do que eu”. Falar ou mesmo pensar uma coisa dessas é muito pecaminoso. O orgulho é a arma do diabo, mas a humildade pertence a Deus: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. (Tiago 4:6)

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Elizabeth Feodorovna não sentia nenhuma raiva das massas revolucionárias. Ela dizia com grande gentileza: “As pessoas são como crianças; elas não são culpadas pelo que está acontecendo...elas são iludidas pelos inimigos da Rússia”.

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A tesoureira do convento, sra. Gordeyeva, tinha medo que elementos criminosos invadissem o convento. Ela pedia à abadessa para que os portões fossem mantidos fechados todo o tempo, mas Elizabeth não temia a ninguém. Ela sempre tentava encontrar traços positivos em todos, até mesmo nos criminosos, acreditando que o bem em uma alma humana pode sobrepujar suas tendências malignas.

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Um dia, um grupo de rebeldes – alguns bêbados, alguns ex-presidiários – entraram no convento. Sua conduta era insolente, sua linguagem, obscena. Um deles, vestido de uniforme cáqui, notou a presença da Grã-Duquesa e se dirigiu até ela aos berros, dizendo qu, embora ela outrora fosse “Sua Alteza”, agora quem era ela? Elizabeth Feodorovna calmamente respondeu que ela estava aqui para servir ao povo. O homem exigiu que ela cuidasse de sua ferida, um abscesso purulento na virilha.

Ela o fez sentar-se em uma cadeira e, ajoelhando-se diante dele, a Grã-Duquesa aplicou-lhe uma medicação e vestiu sua ferida. Ela então lhe pediu que voltasse no dia seguinte para uma nova limpeza, alertando que, se não o fizesse, uma gangrena poderia formar-se ali. O homem ficou chocado. Novamente, ele lhe perguntou quem era ela. A nobre abadessa simplesmente repetiu sua resposta anterior, que ela estava aqui para servir ao povo. O agora subjugado grupo, empurrando um ao outro e olhando furtivamente por detrás de si, saiu pelos portões do convento, deixando as irmãs em estado de grande agitação. Elas estavam aterrorizadas. Elizabeth as interrompeu, lembrando-lhes que o Senhor as estava vigiando para que nada de mal se lhes acometesse que não fosse de Sua vontade.

Nestes tempos sua alma estava em constante comunhão com Deus por meio da Oração de Jesus – seja tratando de feridas, seja preparando seu prato de salada, seja confortando um paciente em seu leito. Neste estado, sua mente se encontrava num estado repulsivo a qualquer expressão de angústia ou medo. Ela sabia que, devota e obediente a Deus, seguia os passos do Senhor; o que quer que viesse ela aceitaria com serenidade e submissão. Nisto ela se assemelhava aos mártires dos primeiros séculos do Cristianismo. A esta altura ela já estava recuperada do choque da abdicação do czar. As lágrimas que derramava à noite, rezando ante os ícones, não eram mais de amargura e desespero, mas eram lágrimas de tristeza ante o destino da Rússia e sua família imperial.

A Grã-Duquesa era dotada de um autocontrole impressionante. Conforme relata o Arcebispo Anastácio: “Parece que ela se encontrava como no alto de um inacessível penhasco e, dali, ignorando os ventos tormentosos do entorno, mentalmente mantinha seu olhar firme na distante eternidade”. Esta característica é muito bem ilustrada por um incidente descrito no volume I do livro Os Novos Mártires da Rússia, do Protopresbítero Michael Polsky.

Certa manhã, dois caminhões de revolucionários chegaram no convento. Fitas vermelhas no peito e carregando faixas da Revolução, os homens adentraram os portões, os quais haviam sido pessoalmente abertos pela abadessa. Um grupo menor – cigarros pendurados nos lábios, capas por sobre as cabeças, rifles pendurados nos ombros – anunciaram que estavam ali para buscar, prender e julgar a abadessa como espiã alemã; o convento teria de ser revistado e todas as armas confiscadas.

Com grande tranquilidade, vêa Grã-Duquesa respondeu: “Entrem, revistem tudo, mas apenas cinco de vocês podem entrar”.

Os revolucionários insistiam que ela teria de deixar o convento com eles, mas ela lhes explicou que, enquanto Madre Superior, não poderia deixar sem dar algumas instruções e despedir-se de suas irmãs. Após uma rápida confabulação em cochichos, os homens concordaram.

Elizabeth reuniu todas as irmãs na igreja do convento e pediu ao Padre Mitrofan que oficiasse. Enquanto ele se paramentava, as lâmpadas e velas dos ícones foram acesas. A nobre Madre Superior, enquanto isso, lembrava-lhes às suas irmãs a mensagem do Evangelho: E de todos sereis odiados por causa do Meu Nome... Na vossa paciência possuí as vossas almas. (Lucas 21:17, 19). Voltando-se aos revolucionários, ela os convidou para deixarem suas armas à porta e juntarem-se a todos na igreja. Com relutância, eles tiraram suas armas e entraram.

Ao longo de todo o ofício a Grã-Duquesa ficou de joelhos. Ao final, ela venerou a Cruz sustentada pelo padre, e os revolucionários, como que subjugados pelo desenrolar dos eventos, fizeram o mesmo. Elizabeth anunciou então que o Padre Mitrofan os acompanharia por todos os aposentos do convento.

Após a revista, que provou-se infrutífera, os homens, envergonhados, saíram para encarar a ruidosa multidão que cantava a “Internationale” e a “Marseillaise”. Eles disseram às massas: “Isto é um convento e nada mais”. A multidão ficou desapontada; eles esperavam ver a Grã-Duquesa e suas armas arrastadas por detrás dela. A medida que se afastavam os caminhões, Elizabeth Feodorovna persignou-se e disse às irmãs: “Parece que ainda não somos dignas da coroa dos mártires”. Com efeito, a coroa dos mártires logo seria sua.

* * *

Se observamos profundamente a vida de cada ser humano descobriremos que ela está cheia de milagres. Você dirá, “De terror e morte também”. Sim, disso também. Não sabemos muito bem por que o sangue destas vítimas precisa ser vertido. Lá, nos céus, eles entendem tudo e, sem dúvida, encontraram calma na Verdadeira Terra Natal – um Lar Celestial.

Nós aqui na terra temos que mirar este Lar Celestial com compreensão e dizer com resignação: “Que seja feita a Tua vontade”. Completamente destruída está a “Grande Rússia sem temor e repreensão”, mas a “Santa Rússia”, a Igreja Ortodoxa, a Igreja contra a qual “as portas do inferno não prevalecerão”, existe e existe como nunca antes, e aqueles que creem, que não duvidam, portam um “sol interior” que ilumina as trevas da tempestade trovejante.

Fonte: Lubov Millar, Grand Duchess Elizabeth of Russia, Nikodemos Orthodox Publication Society, Richfield Springs, NY, EUA, 2009.

13 de dezembro de 2019

O Reino invisível




Velho Testamento

No principio Deus (Yahweh) criou o mundo e o primeiro homem consultando Seu concílio divino (ou assembleia divina), composto por elohim (deuses, habitantes do mundo espiritual). O homem é criado como imagem de Deus, ou seja, não somente com atributos que O refletem (razão, vontade etc.), mas com um status de representante de Deus. Ele quer que sejamos Deus na Terra. O homem foi criado como um ser “um pouco inferior aos elohim”, mas também habita o Éden junto com os elohim.

A Terra, segundo Deus e seu concílio, deveria ser como o Éden. Esta é a missão confiada à humanidade. No entanto, como seres criados com liberdade (livre arbítrio), e não como meros autômatos, as coisas podiam, e deram, errado. Em princípio alguns elohim (deuses) tentaram ajudar, mas quando se encarnaram não conseguiram resistir aos impulsos da carne. Assim foram criados os nephilim, que são gigantes cujos pais são deuses. Para salvar a humanidade destes seres nefastos, não ligados ao elohim Yahweh, Deus decide com Seu concílio enviar um Dilúvio e a salvar Noé e seus próximos, uma vez que são irrepreensíveis por conservar perfeita linhagem com Adão e Eva e, portanto, com Yahweh.

Se dá início ao conflito que durará todo o Velho Testamento, a saber, o conflito entre rebeldes divinos (a “semente de nachshash”) e a humanidade.

A seguinte ação tomada por Deus e o concílio divino foi a dissuasão da Torrre de Babel, o que mostra que o Dilúvio não deu certo, no sentido de que nephilim, ou sua descendência de clãs de gigantes, continuavam a habitar a Terra. Ou o dilúvio não foi global, mas apenas local, ou o método de conceber novos nephilim através de relações sexuais com seres humanos continuou depois do Dilúvio.

A Torre de Babel foi uma tentativa de construir um ziggurat, ou seja, um ponto de contato direto entre os elohim inferiores e a humanidade, o que intensificaria e perpetuaria o governo dos deuses das nações da Torre de Babel em detrimento do governo de Yahweh.

Com a destruição da Torre de Babel, Yahweh mudaria de estratégia. Ele vai travar uma relação de aliança com um povo que ainda não existia: Israel. As demais nações foram colocadas sob a autoridade e adoração de elohim inferiores do concílio divino, ou seja, de deuses inferiores.

Assim que a história do restante do Velho Testamento será Israel vs. as nações deserdadas, Yahweh vs. os deuses das nações. Para auxiliar Seu povo, Yahweh por diversas vezes lhes aparece como dois Yahweh, qual seja, um invisível e no céu, o outro manifesto na Terra em diversas formas, inclusive em forma humana. O Êxodo, assim, assume os contornos de uma “nova criação”.

A aliança feita por Yahweh no Sinai é de que Israel deveria ser santa e cumprir o propósito edênico original de expandir o reinado de Yahweh por todas as nações. Moisés pede permissão aos filhos de Lot e Esaú, que já ocupavam parte da Transjordânia, para passar por suas terras a fim de destruir a última área que ainda estava sob domínio dos nephilim: Bashan, as “portas do inferno”, onde também se localiza o Monte Hermón. A coexistência com os nephilim e seus clãs de gigantes era impossível: eles não são da linhagem de Yahweh e não podem ser tolerados.

No entanto, a apostasia de Seu povo (Israel) impeliu a Yahweh a mudar Sua estratégia. Ele não podia continuar dependendo da humanidade para cumprir Sua vontade edênica. Ele teria que tornar-Se homem e habitar o coração de Seus filhos. Habitar um tabernáculo ou um templo não era suficiente. No entanto, no Velho Testamento este plano messiânico não estava claro. Se as forças das trevas soubessem do plano messiânico jamais teriam matado a Jesus Cristo. Tão secreto era o plano que nem mesmo os anjos o conheciam.

Novo Testamento

O chamado de São João Batista é um indício claro que de o concílio divino se reuniu novamente, decidindo lançar o reino de Deus através do segundo Yahweh, dessa vez encarnado. Um novo Êxodo se inicia, mas a missão deste Filho de Deus é levar o reino de Deus não somente ao povo de Israel, mas aos povos sob domínio dos deuses das nações, dos elohim inferiores da Torre de Babel.

A jornada de Jesus Cristo no deserto é uma demonstração clara da “guerra santa” que seria travada. Satanás, ao tentar-Lo a receber as nações deserdadas, presumia que tinha poder e autoridade sobre algo que, em última instância, não é seu, mas de Yahweh. A mensagem foi clara: Yahweh vai reaver as nações que, originalmente, são Suas.

A partir daí, Yahweh encarnado escolhe seus primeiros discípulos e, curiosamente, pela primeira vez na Bíblia, se tem notícia de um demônio sendo expulso (Marcos 1:16-28). Em seguida, Cristo escolhe doze discípulos, em relação direta às doze tribos de Israel, e envia setenta discípulos, em relação direta às setenta nações deserdadas mencionadas em Gênesis 10.

Em Cesareia de Filipe, no trecho mencionado em Mateus 16:13-20, Jesus Cristo menciona uma “pedra”, ou seja, precisamente a montanha na qual estava ele localizado. Trata-se, novamente, do Monte Heróm, uma clara indicação de que os deuses das nações é que estavam sob ameaça. Muitos acreditam que o Monte da Transfiguração, no qual Cristo revelou a São Pedro, Tiago e João, exatamente quem Ele era: a essência de Yahweh encarnado, é o Monte Heróm, e não o Monte Tabor. O inimigo sabe quem é Jesus Cristo, mas não sabe qual é Seu plano.

Conta-se que Jesus Cristo, no momento de sua agonia e morte, estava cercado pelos “touros de Bashan”. Ora, são nada mais nada menos que os elohim demoníacos, os inimigos de Yahweh e seus filhos nos últimos milênios.

O Apóstolo Paulo queria muito ir à Espanha (Tarshish) porque ele via seu ministério como o cumprimento da profecia de Isaías 66. Ele precisava da Espanha para que “seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Romanos 15:16).

Mas como Deus pode fazer um gentio tornar-se um membro pleno de Sua família? É sua obra na Cruz que faz com que os exilados e deserdados se encontrem e formem uma nova entidade. Somos irmãos de Cristo, e cada um de nós estará com Ele no concílio dos elohim, a Seu lado. A missão de transpor o Céu e a Terra, de administrar o mundo de Deus, continua sendo de Sua família humana, e não de Sua família divina. Mas para isso Deus quer elevar a humanidade, criada um pouco inferior aos elohim, e incluir-la em Sua família para que a partir daí tome conta da Terra.

Para tornar-se membro desta família divina é necessário tornar-se divino. É o que se chama de theosis. Você é um espaço sagrado, você é um templo de Deus, tanto individualmente como corporealmente. O batismo é apenas uma declaração de lealdade ao Salvador ressuscitado, não é em si garantia de glorificação.

O conflito final ocorrerá em Jerusalém. Har-magedon é Jerusalém. Os exércitos do céu que testemunharão a derrota final do Anticristo e suas hordas é composto por elohim fiéis a Yahweh e por seres humanos divinizados. Chegará o dia em que os homens julgarão até mesmo os anjos.

Assim, o Reino está pronto para a realização completa e total na Terra, sob um concílio de deuses restaurado, em cujos membros se incluem fiéis glorificados. Estes fiéis terão o mesmo corpo que Jesus assumiu após a ressurreição.

Fonte: Michael S. Heiser, The Unseen Realm, Lexham Press, Bellingham, WA, EUA, 2015.

Imagem: Concílio de deuses antes do Dilúvio. Virgil Solis para o Livro I da Metamorfose de Ovídio, 162-208. Fol. 4v, imagem 7.

26 de agosto de 2019

Vitimismo: quando os adultos se fazem de vítima



Os sistemas psicológicos de autoestima fatalmente criam dois tipos de pessoas: os masoquistas e os sadistas.

Os masoquistas sentem prazer na baixa autoestima, ou seja, pensam que sabem mais que si mesmos. Os sadistas sentem prazer na alta autoestima, ou seja, pensam que sabem mais que os outros. Em outras palavras, os masoquistas sentem prazer em receber dor (“eu sou inferior”) e os sadistas sentem prazer em infligir dor (“eles são inferiores”).

O orgulho também consiste em dois tipos básicos: saber mais que si mesmo e saber mais que os outros. É fácil perceber que os sadistas pensam que sabem mais que os outros e, portanto, sentem orgulhos em ser superiores. Também é relativamente fácil perceber que os masoquistas pensam que sabem mais que si mesmos e, portanto, sentem orgulho em ser inferiores. O que é um pouco mais difícil de notar é que os masoquistas/vítima sentem mais orgulho que os sadistas. Por quê? Porque as vítimas chegam a ter ambas formas de orgulho: as vítimas chegam a se orgulhar de saber mais que si mesmos e saber mais que os outros.

As vítimas acham que são estúpidas (o orgulho de saber mais que si mesmas) por se permitirem abusar de novo e de novo. Além disso, as vítimas pensam que os outros são maus (o orgulho de saber mais que os outros) pelo abuso que os outros infligem nelas. As vítimas sustentam um roteiro segundo o qual todas as pessoas são boas e de moral elevada e todas as pessoas são mesquinhas e más. Elas precisam confiar para serem abusadas e estúpidas, e condenar para serem superiores. Portanto, elas acreditam que as pessoas são boas e más.

As vítimas acham que são superiores aos abusadores (o orgulho de saber mais que os outros) porque elas não fariam os que fizeram com elas (“eu jamais faria isso”). As vítimas acham que são superiores a si mesmas (“eu sou um fracassado mesmo”).  As vítimas são as pessoas com o maior ego, o mais orgulho, a maior autoestima. As vítimas dobram seu orgulho por saberem mais que si mesmas e os outros ao mesmo tempo. Lembre-se, a alta autoestima e a baixa autoestima são inseparáveis porque são duas faces da mesma moeda: yin e yang. Por isso, quanto mais de uma face tiver, mais da outra face terá.

Os sadistas ocultam sua baixa autoestima nas trevas (subconsciente e inconsciente). As vítimas também ocultam sua alta autoestima nas trevas (subconsciente e inconsciente). É por isso que as vítimas parecem doentes aos olhos dos demais: sua autoestima extremamente baixa é obviamente algo desejado e defendido. O que as pessoas em geral não percebem é como a baixa autoestima é usada para ganhar alta autoestima.

Vitimismo e poder

1. O vitimismo é uma maneira desonesta e convincente de abusar dos outros.
2. O vitimismo é uma maneira desonesta e convincente de evitar curar-se e ajudar os outros.
3. O vitimismo é uma maneira desonesta e convincente de negar a vida adulta e a responsabilidade.
4. O vitimismo é uma maneira desonesta e convincente de escapar das atividades construtivas, da maturidade e do trabalho.
5. O vitimismo é uma maneira desonesta e convincente de racionalizar comportamentos destrutivos, imaturos e condenáveis.

Vitimismo e igualdade

1. O vitimismo não é o caminho para a liberdade.
2. O vitimismo não é o caminho para a igualdade.
3. O vitimismo não é o caminho para a vida adulta.
4. O vitimismo não é o caminho para a independência.
5. O vitimismo não é o caminho para a competência, para a maturidade ou para a responsabilidade.

Vitimismo e hipocrisia

1. Os amigos até podem apoiar seu vitimismo, mas sua integridade não.
2. O mundo até pode apoiar seu vitimismo, mas sua alma não.
3. A família até pode apoiar seu vitimismo, mas sua verdadeira identidade não.
4. Suas crenças até podem apoiar seu vitimismo hipócrita, mas sua humanidade não.
5. Seu analista ou terapeuta até podem apoiar seu vitimismo orgulhoso, mas seu caminho espiritual não.

Vitimismo e reclamação

1. O vitimismo produz mais negatividade, como é possível que você não enxergue isso?
2. Culpar e condenar produzem mais negatividade, como é possível que você não enxergue isso?
3. Reclamação e preocupação produzem mais negatividade, como é possível que você não enxergue isso?
4. Controlar e atormentar produzem mais negatividade, como é possível que você não enxergue isso?
5. Encobrir, condenar e tentar produzem mais negatividade, como é possível que você não enxergue isso?

Vitimismo e bondade

1. As vítimas são boas porque elas estão sofrendo, e você é mau por não sofrer por causa de seu sofrimento.
2. As vítimas são boas porque elas estão sofrendo, e você é mau por não consolar e acalmar infinitamente seu sofrimento.
3. As vítimas são boas porque elas estão sofrendo, e você é mau por não condenar e perseguir as causas de seu sofrimento.
4. As vítimas são boas porque elas estão sofrendo, e você é mau por tentar ajudá-las a acabar com seu sofrimento porque elas são seu sofrimento.
5. As vítimas são boas porque elas estão sofrendo, e você é mau por tentar ajudá-las a livraem-se de seu passado quando, na verdade, elas precisam de seu passado e sua dor para sentirem-se superiores a seus algozes. 

Vitimismo e infantilização

1. Continue se fazendo de vítima, continue se fazendo de criança.
2. O vitimismo não lhe dá os direitos da responsabilidade.
3. Os adultos pagam o preço da responsabilidade pelos privilégios que a acompanham.
4. Se você é parte da sociedade então tem parte da responsabilidade pela sociedade.
5. Uma criança pode de fato ser vítima, mas um adulto é frequentemente cúmplice por comissão ou omissão.

Fonte: Kevin Fitzmaurice, Victim Script.

12 de novembro de 2018

Atitude

Uma atitude é uma união ou síntese de pensamentos e sentimentos que direciona comportamentos, reações ou respostas.  Suas atitudes são frequentemente baseadas em uma combinação de alguns de seus mapas mentais e emocionais sobre como as pessoas, lugares e coisas funcionam.  Esses mapas são chamados de "esquemas" na psicoterapia.

Uma atitude nada mais é do que alguns pensamentos e sentimentos combinados sobre alguma memória, alguma experiência.  Sua atitude é como você já pensa e sente antes que algo aconteça.  Sua atitude é a sua maneira de responder à vida, ao que acontece enquanto você espera que algo mais aconteça.  Atitudes são profecias auto-realizáveis.  Você tende a se identificar com suas atitudes.  Os outros tendem a rotular ou categorizar você como suas atitudes.  Todos esses processos funcionam para tornar suas atitudes parte do seu ego.  Esse apego provoca defensividade em relação às suas atitudes.  Atitudes que são difíceis de se render, apesar da esmagadora evidência contra elas, são atitudes com as quais você se identificou.

Atitudes sobre o perigo do ego são irreais, pois o ego é irreal.  O ego e o perigo do ego existem apenas como realidades verbais, como todas as fantasias.  A maioria de seus perigos do ego não são nem mesmo fantasias legítimas, porque na maioria das vezes, quando você imagina que os outros estão pensando em você, eles estão realmente pensando em si mesmos.  Pense nas atitudes como se fossem programas prontos para responder, sem qualquer pausa, para saber como você pensa ou sente. 

Emergências e perigos muitas vezes exigem uma resposta rápida.  Atitudes proporcionam resposta rápida.  O problema é que você desenvolve e mantém muitas atitudes desnecessárias para parecer superior aos outros ou para evitar parecer inferior aos outros.  Na maioria das vezes suas atitudes não são apenas desnecessárias, elas bloqueiam seu funcionamento inteligente.

As 5 partes de uma atitude

Se alguma das cinco partes ou componentes listados abaixo estiver faltando, então ou não é uma atitude ou ainda não é uma atitude.  1) Um memorando de uma experiência generalizada conectada a pelo menos uma experiência de exemplo específica.  2) Um julgamento da experiência específica e generalizada como uma experiência.  3) Um sentimento desse julgamento, por exemplo, ansiedade ou raiva.  4) Um dos cinco possíveis desejos, intenções ou motivos: terminar, prevenir, mudar, continuar ou repetir.  (1) Desejo de acabar com a experiência.  (2) Um desejo de impedir que a experiência aconteça novamente.  (3) Um desejo de controlar ou mudar a experiência agora ou quando acontecer de novo . (4) Um desejo de continuar, estender ou manter a experiência.  (5) Um desejo de encontrar, causar ou de alguma forma repetir a experiência.  Todos os cinco desejos podem causar estresse sobre a experiência.  5) Uma conexão direta entre dois opostos.  Os opostos podem ser falados como “o que é” versus “o que deveria ser”, o começo versus o fim , ou “o que está errado” versus “o que é certo”.

5 Atitudes de enfrentamento

1) Aceitar 2) Pesquisar 3) Preferir 4) Dever de 5) Ter que

Atitude de Aceitar

Aceitar é a atitude de nenhuma escolha, nenhum desejo, nenhuma distinção, nenhuma comparação, nenhuma medida e nenhuma condição. Aceitar pode ser entendido como escolher enfrentar “o que é”, o que significa que não há conflito em você entre “o que é” e “o que deveria ser”. A aceitação final é entregar a Deus.  Aceitar não é aceitável para todas as situações, porque há momentos em que você precisa fazer escolhas, assumir riscos e agir. Aceitar abuso, exploração ou terrorismo não é um objetivo. O dom da aceitação é a serenidade. Serenidade é paz de espírito, é quietude da mente.

"Eu aceito as pessoas se comportando da maneira que elas se comportam. Eu aceito os lugares e as coisas como elas são. Eu saúdo a vida com seus vais e véns".

Atitude de Pesquisar

Pesquisar é a atitude de procurar uma escolha.  Pesquisar significa que nenhuma escolha foi feita, mas que uma escolha ou decisão é desejável. Pesquisar requer que você pense "eu não sei" ou não é uma busca real.  Pesquisar não é aceitar a realidade porque a busca implica estar justamente está procurando uma substituição ou ajuste para a realidade.  A pesquisa não é adequada para todas as situações, porque nem sempre há tempo para pesquisar. Por exemplo, quando há uma emergência ou uma crise real, você precisa de ação, não buscando a resposta correta. Se a busca se tornar um fim em si mesma, então a busca está sendo mal utilizada para as necessidades ou evitações do ego.

"Eu estudo maneiras de me comportar de maneira mais eficaz. Eu procuro maneiras para coisas e lugares melhores. Eu exploro maneiras de interagir melhor".

Atitude de Preferir

Preferir é a atitude de desejar, querer, escolher e gostar de uma coisa sobre outra. Ao preferi você sabe o que você gostaria, então você não é insosso, incerto, perdido ou incapaz de tomar uma decisão.  No entanto, você permanece aberto a outras opções e a não conseguir o que deseja.  Você prefere movê-lo para o seu objetivo, mas aceita o fim mesmo quando não é seu objetivo ideal.

Preferir não é certo para todas as situações, porque o que você preferir pode não ter nada a ver com as opções disponíveis, ou pode não haver opções.

"Eu gostaria de me comportar de maneira diferente. Eu quero lugares e coisas diferentes. Espero que minha vida se torne melhor para mim".

Atitude de dever de ("shoulding")

Deve de é a atitude de saber o que é certo, ter uma decisão clara, fazer uma escolha clara e acreditar que você sabe o que é melhor. O deve de está fazendo uma escolha única, ao contrário de preferir, que está apenas desejando uma escolha sobre outras escolhas menos aceitáveis. Com certeza você está certo, confiante, dirigido e concentrado.  Embora a preferência possa ser dispersa, o foco deve estar bem enfocado.  No entanto isso não vale para todas as situações, porque muitas situações não permitem apenas um método, uma resposta, um plano ou uma maneira de fazer as coisas. O deve de também não vale quando não há escolhas a fazer. Se não há opções, não importa o que você acha que esteja certo, o deve de só vai lhe causar estresse e ansiedade.

"As pessoas devem se comportar de maneira diferente. Lugares e coisas devem ser melhorados. A vida deve ser melhor".

Atitude de ter que ("musting")

Ter que é a atitude oposta de aceitar. Enquanto a atitude de aceitar quer acabar com o estresse, a atitude de ter que quer aumentar o estresse.  Ter que é a atitude de não aceitar desculpas, não permitir variação, não aceitar os defeitos inferiores, não tolerar, ter uma opção e manter um foco incondicional. Ter que nem sempre funciona porque as atribuições, metas e planos podem ser alterados pelas circunstâncias.  O preconceito pode ser supergeneralizado e, assim, levar ao problema de ter uma personalidade perfeccionista ou controladora.  Ter que em excesso pode levar, por exemplo, a uma incapacidade de delegar ou aceitar o progresso paulatino.

"As pessoas devem se comportar de maneira diferente. Lugares e coisas serão alterados. A vida deve ser respeitada mais do que é".

Um novo olhar sobre a motivação

Agora você pode entender a motivação como sendo uma atitude dominante.  Assim, o primeiro passo para se tornar motivado é deixar de aceitar (ausência de experiência).  Você sai da zona de conforto (neutralidade).  O segundo passo é procurar metas e métodos: pesquisar. O terceiro passo é escolher metas e métodos: preferir. O quarto passo é manter um objetivo ou método: deve de. O quinto passo é trabalhar no objetivo ou método: ter que.

9 Atitudes ineficaces

1) Encobrir 2) Culpar 3) Condenar 4) Reclamar 5) Preucupar-se 6) Exigir 7) Perseguir 8) Reformular 9) Substituir

Atitude de Encobrir

Encobrir também é conhecido como supressão, repressão, escuridão e inconsciência. Encobrir é o ato de esconder da consciência o que é ego-distônico, ou seja, o que o ego não queira ver ou admitir por medo da dor do ego que daí resultará. encobrir mantém o estresse e o conflito da consciência.  No entanto, o estresse e o conflito continuam inabaláveis ​​na inconsciência, na escuridão.  Encobrir cria mais estresse e conflito, porque você terá um conflito com alguém que consegue ver o estresse e o conflito que você está negando.  Encobrir é ruim, pois força você a trabalhar a energia -- sua mente não está disposta a encarar -- de maneiras tortuosas. Essas formas distorcidas podem incluir desde atacar os outros ou até atacar o seu próprio corpo.  Seu corpo normalmente "queimará" o estresse no coração ou no estômago.  Encobrir de maneira correta é tanto a habilidade de focar e a capacidade de conter problemas para o momento e local certos.  Encobrir de maneira errada é quando você não está enfrentando seus erros e sua falta de habilidades psicológicas.

Atitude de Culpar

Culpar é o ato de colocar a responsabilidade sobre alguém ou alguma coisa além de você mesmo. Você culpa os outros porque você não quer se condenar por suas falhas.  Culpar cria tensão e conflito porque coloca o controle dos seus sentimentos em pessoas e lugares que você não pode controlar. Culpar deixa você imaturo e impotente. Culpar doa seu poder pessoal a outros que não aceitarão ou não poderão aceitá-lo. Culpar você mantém preso no passado e no problema. A culpa aumenta mais do que resolve problemas e conflitos. Culpar leva e mantém a vitimização.

Atitude de Condenar

Condenar é uma expressão de raiva. A condenação é o ato de condenar a si mesmo ou ao outro como sendo seres humanos ruins. A boa condenação é a negação do que é errado.  A condenação ruim é o mesmo que jogar gasolina em uma casa em chamas.

Atitude de Reclamar

Lamente-se reclamando da sua dor como se você não fosse a pessoa principal responsável pela sua dor. Choramingar é a sua esperança de que, se você se sentir desagradável o bastante, alguém virá e resgatará você. Lamentar é fazer o papel de vítima na esperança de alguém vai socorrer você. As mulheres reclamam para serem consoladas. Os homens reclamam para serem encorajados. Se o consolo não funciona para uma mulher, evite essa mulher o quanto puder. Se o encorajamento não funciona para um homem, evite esse homem o quanto puder.

Atitude de Preocupar-se

Preocupar-se é o pensamento mágico de que a preocupação faz alguma coisa.  Preocupar-se é o pensamento mágico de que a preocupação pode evitar o desastre. Preocupar-se é acreditar no estresse e no conflito, e assim encontrará estresse e conflito em todos os lugares.  A preocupação compartilha o estresse e o conflito com os outros, na tentativa de tornar real o estresse e o conflito. A preocupação correta é ser realista sobre os perigos potenciais. A preocupação errada é imaginar o perigo debaixo de cada cama.

Atitude de Exigir

Exigir é insistir que o seu caminho se torne realidade, independentemente de ser ou não possível ou provável. Exigir é a sua tentativa de forçar o seu caminho, apesar do fato de que você não está no controle da realidade. Exigir é o seu orgulho correndo solto.  O correto é insistir apenas em valores absolutos. A exigência errada é insistir no que você gosta ou deseja.

Atitude de Perseguir

Perseguir é punir a si mesmo ou aos outros.  Perseguir é torturar os outros por não fazer com que você se sinta do jeito que você quer se sentir. Perseguir é atormentar as pessoas por vingança. Perseguir é oprimir os outros porque você não está conseguindo o que quer. Perseguir é aterrorizar os outros para o desarranjo.  A perseguição correta é focada em valores corretos.  A perseguição errada é focada em exigências e desejos errados.

Atitude de Reformular

Reformular é semelhante à atitude de encobrir. A diferença entre as atitudes de encobrir e reformular é que encobrir se faz com a nudez ou a inconsciência e reformular se faz com pensamentos, imagens ou sentimentos.  reformular é uma forma sorrateira de mentir. Reformular é esconder uma realidade com outra.  Reformulações típicas como “Eu quis dizer para ajudar a não machucar”, “Eu só estava brincando”, “Não foi tão ruim,” pode ser entendido como uma forma de resistência à terapia.  Reformular significa esconder a perspectiva errada sob uma perspectiva falsa.

Atitude de Substituir

Substituir é mais uma forma de cobertura, de ocultação.  Substituir cobre não com trevas ou com pensamentos, mas distraindo sua atenção de uma coisa com outra coisa. Você pode substituir um vício por outro. Você pode substituir o trabalho solitário por ansiedade social. Você pode substituir um cônjuge por um dos pais. A correta substituição é redirecionar de improdutivo para produtivo.  A má substituição é negar um problema, concentrando-se em outra coisa.

As 2 principais preocupações dos adultos

As duas principais preocupações dos adultos são: (1) buscar o prazer do ego, uma auto-estima positiva;  (2) evitar a dor do ego, uma auto-estima negativa. Por exemplo, você encobre para evitar acusações que levem à auto-queda. Você culpa os outros para evitar que você seja culpado. Você amaldiçoa os outros para impedir você de ser amaldiçoado. Você choraminga para fazer os outros culparem qualquer outra pessoa que não seja você. Você exige que os outros mudem para que você não seja culpado novamente. Você persegue os outros por te deixarem culpado para que eles não façam isso novamente. Você reformula seus erros para evitar que se julgue. Você substitui qualquer foco em suas falhas com foco nas falhas de outra pessoa.

As culpas, do melhor ao pior

MELHOR: culpe suas regras de escolha.
BOM: culpe suas escolhas.
DESPERDÍCIO: culpe seus comportamentos.
ERRADO: culpe a vida ou a existência.
RUIM: culpar a sociedade ou o governo.
PIOR: culpar pais, parceiros, família, o eu.

O que culpar pelo meu comportamento errado? Posso culpar meu eu? Não. Meu eu não é meus pensamentos, sentimentos ou comportamentos. Posso culpar meu comportamento?  Não. Meu comportamento não define meu eu . Posso culpar meu processo de decisão?  Sim.  Eu não faço nada sem decidir fazê-lo. Embora eu não esteja consciente de muitas das minhas decisões ou de muitos dos meus processos decisórios, isso não significa que eles não estejam operacionais. Meu comportamento não é o processo decisório que me levou a escolher o comportamento errado. Só o meu processo de tomada de decisão é o meu processo de decisão. Conseqüentemente, somente o meu processo de tomada de decisão deve ser responsabilizado e responsabilizado pelo meu comportamento errado. Meu eu e meu comportamento não decidem o que eu faço.  Meus processos decisórios decidem o que eu faço.

Emoções "GADSAP"

O GADSAP, pronunciado gad sap, é um acrônimo para as emoções problemáticas.  As emoções problemáticas são culpa, ansiedade, depressão, vergonha, raiva e orgulho. Essas emoções são problemáticas porque muitas vezes são mal utilizadas para causar discórdia e dor psicológica.

Culpa

A culpa é a sensação de estar condenado no presente. A culpa é útil quando a culpa leva você a mudar de processos de escolha ineficazes ou destrutivos para processos de escolha eficazes ou criativos .  A culpa é dolorosa quando a culpa leva você a condenar e culpar o seu ser ou do outro. A culpa é útil quando focada em regras ou deveres para escolhas, e não quando focada em regras ou deveres para si mesmo. A culpa é um desperdício quando a culpa leva você a culpar e a amaldiçoar o comportamento de alguém ou de outra pessoa. A culpa é mais eficaz quando se concentra na melhoria das atitudes e, especialmente, nas atitudes que controlam as escolhas.

Ansiedade

A ansiedade é a sensação de dano potencial no presente ou no futuro. Ansiedade é medo da dor. Não há ansiedade sem medo da dor. No entanto, o medo não precisa ser baseado na realidade -- pode ser apenas sobre eventos imaginários ou fantasiosos. Existem quatro tipos de ansiedade: (1) ansiedade sobre a dor física;  (2) ansiedade sobre a dor do ego;  (3) ansiedade sobre os outros se machucarem fisicamente;  (4) ansiedade sobre outros se machucarem psicologicamente. As três condições para a ansiedade são: 1) Lembrar-se da dor passada ou da dor futura imaginária.  2) Dúvida sobre sua capacidade de resolver problemas ou lidar com a dor. 3) Crença de que deve haver uma maneira melhor de resolver problemas ou lidar com a dor.  A base para a ansiedade é a necessidade percebida de prevenção da dor.

A primeira pergunta que devemos fazer é: “A dor jamais deve ser experimentada?” Pode ser que a dor seja uma parte natural da vida. Pode ser que a dor seja aleatória ou cíclica.  Pode ser que a dor seja improvável de acontecer novamente.  Pode até ser que a dor seja útil de alguma forma. A segunda pergunta é: “ Você realmente tem que evitar a dor?” Pode ser que você nunca consiga evitar a dor. Pode ser que ninguém consiga evitar a dor. Pode ser que você consiga evitar ou diminuir a dor, mas não impedi-la. 

Você não usa um alarme para resolver problemas. Você usa um alarme para notificá-lo de que há ou poderá haver problemas. Por favor, não atravesse uma rua movimentada sem ansiedade . Por favor, não use equipamentos perigosos sem ansiedade. No entanto, não deixe a ansiedade guiar seu comportamento ou problemas seguramente surgirão. 

A ansiedade é apenas para dizer "o quê".  A ansiedade nunca é para dizer "como".  Ansiedade é um alarme, não um guia.  A ansiedade não deve ser seu ator ou ação. A ansiedade deve ser apenas sua consciência.

Depressão

A depressão é a sensação de estar inescapavelmente condenado no passado, presente e futuro. A depressão é a autodestruição correndo solta. A depressão é a auto-repressão no comando da sua consciência.

A primeira pergunta que devemos fazer é: “Eu realmente tenho que encontrar todas as minhas falhas?” Pode ser que, ao procurar por falhas, você crie falhas. Pode ser que não haja fim para encontrar as falhas humanas porque os seres humanos não são perfeitos em nada. Pode ser que, ao se concentrar em encontrar falhas, você esteja apenas aumentando suas falhas e adicionando essa falha à lista. Pode ser uma tarefa impossível encontrar todas as suas falhas. A segunda pergunta é: "Eu realmente tenho que culpar e me condenar por todos os meus defeitos?" Eu posso descobrir que culpar e condenar é a minha pior falha. Eu posso descobrir que culpar e condenar a mim mesmo como minhas falhas apenas as faz aumentar. Eu posso descobrir que culpar e me condenar me impede de trabalhar no problema real: meus processos de escolha.

Vergonha

Vergonha é a sensação de ser um pária. A culpa é sobre quebrar suas regras, sobre ofender sua consciência. A vergonha é sobre as regras da sociedade, sobre ofender a consciência da sociedade. Vergonha é fazer com que você se sinta mal, então você será bom. Vergonha é fazer com que você se sinta um demônio, então você vai agir como um anjo. Maldizer-se é prazer masoquista.
A diferença entre vergonha e culpa é que a culpa é a sua consciência pessoal falando e a vergonha é a sua consciência social falando. Em outras palavras, a culpa é a consciência de que você quebrou uma das suas regras ou valores, e a vergonha é a consciência de que você quebrou uma das regras ou valores da sociedade. A vergonha é necessária para a socialização. A vergonha é prejudicial quando você se envergonha de sua identidade.

Raiva

A raiva é a sensação de mágoa física ou mental. A raiva é uma maneira de se machucar. Não há raiva sem ferir. No entanto, o problema não precisa ser baseado na realidade - pode ser apenas imaginado.  A dor do ego resulta em raiva, porque a dor é real, embora no que se baseia -- o ego -- seja inteiramente irreal.

Raiva não é ação.  A raiva é um chamado à ação.  A raiva é um grito de guerra, não a batalha.
Dor ou mágoa é apenas uma das condições da raiva. Há duas outras condições que também precisam ser atendidas para você desenvolve a raiva: (1) você deve estar certo de que um dos seus valores ou regras foram quebradas;  (2) você deve acreditar que o seus valores ou regras não deveriam ter sido quebrados. A base para a raiva é a necessidade percebida de acabar com a dor.

A raiva psicológica vem da dor do ego. A dor do ego vem da escolha de aceitar pensamentos negativos, sentimentos ou eventos como sendo seu eu.

Orgulho

O orgulho é a sensação do prazer do ego. O orgulho é pensar que você é de alguma forma superior aos outros. O orgulho é o veneno nos relacionamentos humanos. O orgulho é pensar que você é bom para fazer o bem. O prazer do ego geralmente vem do orgulho de julgar os outros como piores; portanto, você é melhor. Você sente orgulho de pensar que está compensando seus erros punindo-os.  Você sente orgulho de torná-los sua vítima e inferiores.

O orgulho pode ser entendido como dois deveres: (1) Para que eu seja bom, eu e os outros devem ver a mim fazendo o bem ; (2) Para eu ser bom, devo acreditar e ser responsável por qualquer bem que eu faça.  Alguém pode realmente se tornar melhor fazendo o melhor?  Alguém pode realmente se tornar bom fazendo o bem? Você pode jogar beisebol melhor do que outros, mas não pode ser melhor que os outros.

O orgulho de fazer um bom trabalho pode ser a motivação para fazer mais bons trabalhos. O orgulho de si mesmo é acreditar que você é um ser humano superior, apesar do fato de que todos os seres humanos são iguais.

Inconsciência incompreendida

A inconsciência é normal, natural e necessária. A inconsciência é usada para esconder conflitos e imagens negativas do ego. Os graus de inconsciência -- inconsciente, subconsciente, pré-consciênte, consciente -- existem como níveis de negação, escuridão e proteção do ego.  Apenas consciência e inconsciência são necessárias.

Sua mente consciente é serial.  Sua mente inconsciente é paralela.  O que isto significa é que conscientemente você só pode se concentrar em uma coisa de cada vez. Às vezes você se empolga tanto que parece estar se concentrando em mais de uma coisa de cada vez, mas conscientemente isso é realmente impossível. Inconscientemente, sua mente pode trabalhar em paralelo ou em muitas coisas ao mesmo tempo.  Por exemplo, ao aprender a dirigir um automóvel, você está consciente da direção, do freio, do aceleradoro, da localização, entre muitas variáveis. Quando você está aprendendo, você pode conscientemente prestar atenção a apenas uma dessas variáveis ​​de cada vez. 

Isso faz com que a direção pareça impossível. Mas à medida que você aprende cada processo individualmente e atribui as atitudes adequadas para governá-lo, esse processo se torna inconsciente.
Você usa mal sua inconsciência escondendo conflitos e aspectos feios do seu ego nela. Embora seja necessário colocar programas na inconsciência para que eles possam ser executados no piloto automático, usar a inconsciência para ocultar o que você não quer manipular ou o que você deseja negar é usar a inconsciência de maneira errada. Colocar a auto-imagem negativa na inconsciência é o subproduto da auto-estima. Auto-estima é apenas o nome moderno do ego. Como é impossível ter um positivo sem negativo, sempre que você se define como imagens e conceitos positivos, também está se definindo como imagens e conceitos negativos. A fim de manter qualquer auto-imagem positiva, então você deve negar seu oposto, ocultando seu oposto na inconsciência. Da inconsciência, você pode projetar o negativo em um bode expiatório ou inimigo externo.

Quando você está tendo dificuldades em qualquer área, então você precisa reconhecer suas atitudes inconscientes. Você faz isso prestando atenção às suas reações nos relacionamentos relacionados. Você faz isso diminuindo suas reações nos relacionamentos. Você faz isso procurando atitudes antes, durante e depois de reagir.

Você pode estar certo, ou você pode fazer o certo. Enquanto você estiver certo, então você não pode fazer o certo. Por quê? Porque ser o certo transforma o conhecimento em pensamento. E porque o conhecimento pode existir apenas como uma dualidade, para estar certo, você também deve estar errado. Então, conscientemente, você se identifica como certo, e inconscientemente se identifica como se estivesse certo. Para manter essa dualidade, você pode encontrar ou criar um inimigo externo para representar sua inconsciência incerta.  Ou, para manter essa dualidade, você pode encontrar ou criar um inimigo interno para posar como sua inconsciência. Que comecem os jogos!  Você não pode fazer nada. A ação não é uma coisa certa.  Quando você faz bem uma coisa, você não pode fazer o bem. Quando você mata a escolha, perde a escolha. A escolha é uma ação, não uma coisa.  Por isso, as pessoas mais imorais são aquelas que pregam e ensinam a moralidade, pois elas mesmas não podem segui-la.  Eles estão mortos como moralidade.  A moralidade está morta como eles.

Fonte: Kevin FitzMaurice, Attitude Is All You Need, FitzMaurice Publishers, 2a edição, Portland, OR, EUA, 2011. Trechos selecionados.

19 de setembro de 2018

Como lidar com o estresse



Por que encarar o estresse como seu inimigo quando o estresse pode ser seu melhor amigo? Por que lutar contra o estresse quando você pode redirecionar o estresse para trabalhar para você? Por que sofrer de estresse quando você pode ter sucesso com o estresse?

9 aspectos do estresse

É importante lembrar que o estresse só funciona e só existe como um sistema, não como uma coleção de peças.

1. Estresse é espaço

“Espaço" é uma área na mente que está vazia, sem espaço. Todas as experiências de estresse começam com a experiência de espaço.

2. Estresse é energia

Energia é a primeira coisa a se mover para o espaço criado por um desequilíbrio. O estresse é a experiência da energia empurrando e cutucando você em direção a um objetivo. O estresse é a força criativa que traz algo novo para o futuro.

3. Estresse é dualidade

O estresse é dialético, dualista. Linguagem, conhecimento e todas as medições requerem dualidade. Segurança, prevenção e planejamento, tudo isso exige dualidade. Mas a dualidade é apenas uma parte da vida; a dualidade nem é o modo como todas as coisas funcionam, nem é o modo como todas as coisas podem ser entendidas.

2 polaridades do estresse

A primeira polaridade do estresse é o passado (ou o presente) vs. o futuro. A segunda polaridade do estresse é a ausência de algo desejado vs. a presença desse objetivo ou objeto desejado.

4. Estresse é tempo

O estresse sempre tem duas posições opostas ocorrendo no tempo: o negativo, que existe agora, e o positivo, que deve existir no futuro.

5. Estresse é comparação

Comparação requer dualidade. A comparação é baseada no contraste entre opostos. A comparação do estresse sempre envolve o tempo como um fator. A comparação do estresse é sobre algo que deveria estar aqui agora, mas não está aqui agora.

6. Estresse é julgamento

Depois que duas coisas são comparadas, então o julgamento é o que diz se uma coisa é melhor ou pior que a outra. O julgamento fornece ou atribui valor à comparação.

7. Estresse é desequilíbrio

Um desequilíbrio ocorre quando duas coisas desiguais são justapostas. A consciência do desequilíbrio só é possível se houver espaço entre os dois itens que são comparados e considerados desiguais. O desequilíbrio requer dualidade. O desequilíbrio requer o conceito “tempo” para estar ciente do efeito do desequilíbrio. O desequilíbrio requer comparação para medir o grau do desequilíbrio. O desequilíbrio requer julgamento para avaliar e interpretar o desequilíbrio como sendo certo ou errado.

8. Estresse é objetivo

O estresse sempre tem um objetivo, tem um objetivo a ser cumprido.

9. Estresse é motivação

O estresse é a experiência de um vácuo, e “a natureza abomina o vácuo", assim que a natureza trabalha para preencher esse vácuo. O estresse é motivação, porque o estresse exige resposta e ação.
 
O estresse pode ser positivo

O estresse positivo é a experiência de algo se tornar o que deveria se tornar. O estresse positivo é progresso. Constatar que as paredes da casa estão subindo é experimentar estresse positivo. O estresse positivo envolve a interpretação positiva de resultados. O estresse torna algo manifesto.

O estresse pode ser negativo

Ter estresse negativo é tentar trabalhar. Para ter estresse negativo basta trabalhar sem progresso. O estresse negativo tenta tirar seu carro do atoleiro sem qualquer sucesso. O estresse negativo vai fazer com que você continue tentando realizar algo para o qual você é incapaz. O estresse negativo pode causar frustração e decepção, fazendo você trabalhar em algo impraticável. O estresse negativo não sabe o que é possível ou impossível. A energia do estresse negativo pode afetar seu corpo, seus relacionamentos, ou mesmo resultar em um vício quando sua mente se cansa de tentar resolver o insolúvel.

O perfeccionismo é positivo e negativo

O perfeccionismo é um estresse positivo quando consegue realizar o trabalho. Quando o perfeccionismo não alcança progresso ou realização, tal negação resulta na experiência de estresse negativo, mesmo se algum progresso ou trabalho positivo tenha sido realizado.

4 passos para o perfeccionismo perfeito

1. Use o perfeccionismo para encontrar ou imaginar o ideal mais elevado possível. 2. Esforce-se para encontrar esse ideal com todos os recursos que você puder reunir. 3. Não permita que o perfeccionismo interprete os resultados do seu trabalho, porque o perfeccionismo sempre concluirá que os resultados são insatisfatórios. 4. Aceite os resultados do seu esforço, lembrando-se que não existem ferramentas ou materiais perfeitos; portanto, não existem resultados perfeitos.

Não pense: "Eu fiz o meu melhor"; em vez disso, pense: "eu procurei e serví o mais alto”. Seus resultados serão sempre mais do que aceitáveis ​​quando você procurar e sirvir aos mais altos ideais que você puer encontrar. No entanto, seus resultados nunca alcançarão esses resultados ideais. Em suma, "Mire as estrelas, mas fique feliz quando pousar na lua”.

O estresse é inescapável

Correr, evitar e fugir do estresse são formas de estresse. O único lugar onde não há estresse é no túmulo.

Dilema do estresse

O dilema do estresse é que não podemos viver sem estresse, mas o estresse também pode nos matar.

Equilíbrio e Estresse

É uma lei da natureza que todo e qualquer desequilíbrio liberará energia, que será de uma maneira ou de outra trabalhada ou exercida. Se a energia de um desequilíbrio não for dirigida e exercida sobre o alvo ou meta de seu desejo, então a energia será redirecionada a um alvo ou objetivo que você pode não querer. Úlceras e hipertensão são duas maneiras comuns que o corpo encontra para queimar a energia do estresse que você não estã consumindo no objetivo almejado.
 
3 tipos de estresse

1. O movimento para frente

O movimento para algum objetivo, tarefa ou sonho está caminhando para frente. Este movimento para frente é experimentado como estresse positivo.

2. Movimento está engessado

O movimento para algum objetivo, tarefa ou sonho está preso ou engessado. Este movimento engessado é experimentado como estresse autodestrutivo.

3. O movimento para trás

O movimento para algum objetivo, tarefa ou sonho está caminhando para trás. Este movimento para trás é experimentado como estresse negativo.

Crenças Positivas para o Stress Positivo

Crenças positivas sobre o estresse sobre a vida 1. Não posso controlar a vida ou as causas da vida. 2. Eu só posso controlar minhas respostas às causas da vida. 3. Eu controlarei minhas respostas para uma vida melhor.

Crenças de Estresse Positivas sobre os outros 1. Não consigo controlar os outros. 2. Eu só posso controlar minhas respostas aos outros. 3. Eu controlarei minhas respostas aos outros para melhor.

Crenças de Estresse Positivas sobre o eu 1. Eu causo estresse por minhas atitudes, escolhas e comportamentos. 2. Eu controlarei minhas atitudes, escolhas e comportamentos para ter um estresse mais positivo e menos negativo. 3. Eu escolherei intenções, expectativas e interpretações que causem estresse positivo ou aliviam o estresse negativo.
 
Solução 1 para o Estresse: Escolhas de Trabalho

1. Escolha o trabalho produtivo

Escolha fazer tarefas que tenham resultados positivos. Use seu tempo para se concentrar no que obtém resultados. Concentre-se nos princípios mais elevados que puder, porque eles guiam o melhor progresso.

2. Evite o trabalho improdutivo

Evite deixar um projeto se tornar político ou envolvido em uma luta de poder pelo controle sobre o resultado ou quem recebe o crédito. Não permita que procedimentos burocráticos parem o trabalho. Não deixe o microgerenciamento dominar o trabalho.

3. Não procrastinar ou evitar o trabalho

Não procrastine, escape ou evite o trabalho, porque essas ações causam estresse autodestrutivo. O estresse autodestrutivo é o estresse vivenciado tanto de forma negativa quanto pessoal. Quando surge o estresse autodestrutivo, você não apenas acredita que o estresse é contra seus objetivos, como também acredita fortemente que o estresse está contra você. Sentimentos extremos de estresse autodestrutivo podem levar à paranóia, à projeção de um inimigo externo em alguém ou a alguma coisa, e a teorias da conspiração sobre alianças e forças inexistentes.

Evite distrações. Crie um ambiente de trabalho calmo, sem perturbações. Divida os projetos em partes, e em partes gerenciáveis ​​que não sobrecarreguem você. Aceite erros como parte do caminho para o progresso. Concentre-se no resultado positivo do trabalho, em vez do esforço negativo do trabalho.

4. Evite o trabalho contraproducente

Faça o trabalho que pode ser feito agora. Trabalhe na parte do projeto que você, neste momento, está motivado para trabalhar. Mantenha as pessoas afastadas que possam interferir ou desencorajar o trabalho. Trabalhe quando tiver energia e estiver interessado. Trabalhe quando estiver motivado e positivo. Faça pausas e volte ao trabalho com o coração e a mente abertos. Se o seu trabalho não está progredindo como deveria, então pergunte a si mesmo se você está cuidando de si e da sua família como deveria.

Solução 2 para o Estresse: Escolhas de Atitudes

Atitudes criam estresse

1. Pensar “sempre fazemos pelo menos algum progresso” causará estresse positivo.

2. Pensar “isso nunca parece chegar a lugar algum” causará estresse autodestrutivo.

3. Pensar: “estamos sempre atrasados” causará estresse negativo.

Percepção = realidade

Para os seres humanos, sua percepção é sua realidade. Isso ocorre porque os seres humanos são subjetivos, e não robôs objetivos, sem condicionamento, intenções, expectativas e interpretações. Aceite a natureza subjetiva da percepção humana e opte por fazê-la funcionar para você. A comida bem empratada tem um gosto melhor? "Sim e não". "Não" na mentalidade objetiva do computador. "Sim" em respostas humanas subjetivas.

3 atitudes de estresse são semelhantes

As três atitudes de estresse a se enfocar são:

1. Demandas realistas = estresse positivo

As demandas positivas são baseadas em "deve ser". Algo ou alguém é visto como tendo que ser de certa maneira. A mensagem das exigências positivas e realistas é procurar controlar apenas o que você pode controlar. Por que “deve ser” muitas vezes é uma solução? Posso controlar a vida? Não, mas posso influenciar positivamente e afetar a vida. Se o seu "deve ser" está tentando controlar o que você pode controlar, então o seu "deve ser" será capaz de completar ou fazer progressos no seu destino desejado ou objetivo.

2. Demandas não realistas = estresse negativo

Um mau administrador muitas vezes recorre a exigências positivas e não realistas. A mensagem de demandas positivas e não-realistas é não tentar controlar o que você não pode controlar. Isso fará com que o estresse negativo se acumule no alvo ou na meta, para que você se mova para outro alvo ou objetivo, para encontrar um novo lar para esse alvo, para essa energia.

3. Demandas negativas = estresse negativo

Exigências negativas são comandos de que algo não deve existir ou não acontecer. Exigências negativas são freqüentemente comandos de que algo deve ser desfeito. Demandas negativas são freqüentemente comandos de que a realidade deve ser invertida ou reescrita. Algo ou alguém é visto como não sendo do jeito que supostamente deveria ser; portanto, que algo ou alguém não deve ser do jeito que eles são. Racionalmente, todos nós sabemos que o passado não pode ser desfeito. No entanto, ainda tendemos a exigir que o passado se adapte ao modo como pensamos que o passado deveria ser. Racionalmente, todos nós sabemos que alguém que fez algo realmente fez aquilo. No entanto, ainda tendemos a exigir que ele ou ela não tivesse feito isso no passado. Racionalmente, todos nós sabemos que o que fizemos foi o que fizemos. No entanto, ainda tendemos a exigir que tenhamos feito de forma diferente da que fizemos. Os objetivos do tipo "não devem" são impossíveis. 1. Você não pode mudar "o que é" em "o que não é". 2. Você não pode mudar "o que era" em "o que não era". 3. Você não pode mudar "o que será" em "o que não será". 4. Você não pode fazer os fatos desaparecerem ou magicamente mudarem só porque você não gosta deles.
 
Solução 3 para o Estresse: Corrija-o Aceite-o

Concentre-se em saber quando escolher resolver problemas e quando escolher lidar com os problemas.

2 opções produtivas

A resolução de problemas aumenta e promove o estresse positivo e a realização de metas. Lidar com o problema diminui e previne o estresse negativo ao mesmo tempo em que suspende a solução de problemas. A estratégia geral que este livro recomenda é resolver primeiro o problema e depois decidir se a resolução de problemas está bloqueada ou é impossível.

Corrigir ou aceitar

Escolha se concentrar no trabalho para melhorar as coisas ou opte por se concentrar na aceitação dos problemas para conviver melhor com eles.

1. Resolva o problema procurando e encontrando informações, conselhos, apoio e ajuda, mas não culpando ou condenando. 2. Lide com isso aceitando, focando em outra coisa, orando e confiando no apoio social, mas não choramingando.

4 coisas que eu posso mudar

1. Minha atitude em relação à vida, aos outros e a mim mesmo. 2. Como eu respondo à vida, aos outros, às provações e às tribulações. 3. Como escolho gastar meu tempo e energia. 4. Como eu resolvo problemas e luto com minhas limitações.

4 coisas que eu não posso mudar

1. A maneira como a vida é agora. 2. A maneira como os outros são agora. 3. O que eu fiz ou não fiz. 4. Minhas limitações reais ou atuais.

2 opções saudáveis

Faça cartazes, pinturas, anotações, mensagens, gravações de áudio – o que funcionar melhor para você - e escreva a seguinte mensagem em sua casa, na escola, no trabalho e no carro. Corrija-o ou aceite-o.

Solução 4 para o Estresse: os 3Rs

Eles formam a base de um sistema completo de auto-ajuda, conforme descrito no livro Garden.

Solução 5 para o Estresse: eu posso vs. eu vou

Concentre-se na escolha correta para evitar falhar no controle, o que produz estresse negativo.

Se você quiser evitar o estresse negativo, evite tentar controlar o que não vai ou não pode controlar. Se você quiser ter estresse positivo, concentre-se em controlar o que pode e vai controlar.

3 tipos de demandas de estresse

1. Eu devo, posso e vou.

Exigir trabalhos quando você ou outros podem e cumprirão a demanda.

2. Eu devo, mas não posso.

Exigir resultados negativos quando você ou outras pessoas não podem cumprir a demanda. Livre-se de suas demandas e comandos para si e para os outros quando essas exigências não puderem ser realizadas.

3. Eu devo, mas não vou.

Exigir resultados negativos quando você ou outros podem, mas não cumprirão a demanda.

Espere até que a motivação ou intenção de cumprir a demanda esteja pronta para acompanhar a demanda. É melhor descobrir por que os funcionários não estão seguindo os procedimentos de segurança para só então fazer mais exigências para que os procedimentos sejam seguidos.
 
Solução 6 para o Estesse: FAM

A REBT encoraja as pessoas a terem a Auto-Aceitação Incondicional (USA), a Aceitação Incondicional dos Outros (UOA) e a Aceitação de Vida Incondicional (ULA).

Desenvolver o FAM: Frustração como motivação

A maioria dos pensamentos sugeridos abaixo são pensamentos que você pode escolher durante as provações, tribulações e dificuldades. Esses pensamentos ajudarão você a desenvolver um relacionamento vitorioso com a frustração.

Ficarei grato por esses desafios porque eles me farão mais forte.

Desenvolverei novas práticas eficazes durante essas batalhas.

Honrarei o trabalho como sendo um privilégio, não importa quão difícil ou tortuoso seja o trabalho.

Vou encarar o aprendizado como algo que me prepara para trabalhos maiores e mais interessantes.

Vou encarar minhas lutas como oportunidades.

Solução 7 para o Estresse: estresse sobre objetivos

A dialética do estresse

O estresse é principalmente uma dialética entre o certo e o errado ou entre o positivo e o negativo. Portanto, evite tomar a parte fraca do estresse como se fosse um direito seu porque, então, a parte “forte”(o objetivo) do estresse lhe escapará.

Você pode cobrir uma meta que é negativa com pensamentos positivos e afirmar que é positiva quando é realmente negativa. Por exemplo, os terroristas fazem isso alegando que matar mulheres e crianças inocentes serve a Deus.

Vire o estresse do avesso

Use o estresse da sua dor e sofrimento para se concentrar em objetivos positivos. Use o estresse de sua raiva para trabalhar para corrigir os erros. Use o estresse da sua ansiedade para ajudar a tornar o mundo mais seguro para as crianças. Use o estresse da sua depressão para ajudar os outros a encontrarem sentido na vida. Use o estresse de sua dor para ajudar os outros a valorizar as coisas importantes da vida.

Lidar com o estresse

Se você não for redirecionar, refocar ou tornar seu estresse, deixe-o em paz, deixe-o a sós ou se entregue. Muita gente busca uma vida livre de estresse. Não existe vida sem estresse, mas apenas morte sem estresse.

A tendência humana para o negativo

A natureza humana, bem como todas as coisas, tem tendência para o negativo. Em outras palavras, todas as coisas tendem à desorganização, decadência, morte e destruição. É preciso um sistema externo para orientar qualquer coisa para a organização e para a vida. Portanto, você deve estar vigilante sobre sua tendência ao negativo. Quando o seu estresse quiser preguiça, procrastinação, medo, escapismo, comer em excesso, ou algum outro fim negativo, então aceite que existe uma necessidade, mas também aceite e insista que a necessidade pode ser satisfeita por meio de objetivos melhores. Conceda a si mesmo o maior tempo possível com a companhia de pensadores positivos e buscando informações positivas por meio de livros, música, meditação, oração e por outros meios.

O estresse estrutura o tempo

As pessoas querem ser mantidas estimuladas ou ocupadas para que possam evitar enfrentar o estresse. As pessoas gostam da TV porque a TV as ocupa para não precisarem ocupar-se do estresse. As pessoas gostam de esportes e de notícias porque podem ser usadas para distrair as pessoas do estresse. As pessoas preferem o drama sem sentido e o conflito em lugar do silêncio e da serenidade porque o silêncio leva as pessoas face a face com o estresse.

Sofra bem

Há apenas uma coisa que eu temo: não ser digno dos meus sofrimentos. Fyodor Mikhailovich Dostoyevsky.


Fonte: Kevin FitzMaurice, Stress for Success, FitzMaurice Publishers, 2a edição, Portland, OR, EUA, 2013. Trechos selecionados.

29 de julho de 2018

Cuide do seu jardim

O método 3R é equivalente ao que seriam as ferramentas de jardinagem para se cuidar de um jardim. O jardim é a sua mente. O objetivo, portanto, é cuidar das plantas que há em seu jardim e arrancar as ervas daninhas.

O 3R vem das palavras Recognize, Remove e Replace. Você reconhece as plantas como sendo plantas e as ervas daninhas como sendo ervas daninhas. Depois você remove as ervas daninhas. Por fim você substitui as ervas daninhas arrancadas por plantas. Todos os dias você escolhe as ferramentas que vai usar para cuidar do seu jardim e deixá-lo arrumado.

1R. Reconhecer

O primeiro passo é sepre reconhecer, identificar. Nâo há muito o que possa fazer se você não reconhece antes o problema.

Um dos métodos para reconhecer as ervas daninhas é o WWBADD. Vejamos:

Whining [choramingar/lamuriar/queixar-se/lamentar-se]: reclamar, fugir do eu focando-se nos erros dos outros.

Worrying [preocupar-se, afligir-se]: ansiedade, angústia, suar frio, desespero, evitar a vida focando no perigo.

Blaming [culpar]: irresponsabilidade, caça às bruxas, acusar, apontar o dedo, vitimização, irresponsabilidade emocional, evitar crescer focando-se nos erros dos outros.

Attaching [vincular, apegar-se, juntar, amarrar]: identificar-se com o outro e não com o eu, identidades do ego, apegos do ego, buscar segurança nas aparências, buscar segurança em rótulos e títulos, escapar do eu se refugiando no ego.

Demanding [exigir]: supercontrolar, "tem que", codepender, manipulação, escapar do eu fazendo drama.

Damning [condenar]: demonizar, condenar, denunciar, castigar, saber mais do que o outro, desumanizar, escapar do eu inferiorizando os outros.

2R. Remover

Remover é o segundo dos 3R e é aquele que se deve exercer com mais vigor. Se você tentar remover as ervas daninhas com pensamentos não-emotivos então seus resultados serão medíocres. Remover é a prática de arrancar as ervas daninhas do seu jardim.

É comum que você tenha de remover uma erva daninha várias vezes antes que ela realmente saia do seu jardim. Mesmo assim a erva poderá retornar a seu jardim a qualquer momento. E por quê? Porque uma vez que você esteja ciente de uma erva ela ficará gavada na sua mente para sempre. O stress pode trazer o melhor ou pior de você. Se o stress lhe trouxer o pior então todas as velhas ervas daninhas vão querer voltar para o jardim. Escolha o stress para fortalecê-lo ou enfraquecê-lo. A escolha é sua, não as circustâncias.

Remover uma erva daninha é negá-la tempo e espaço em seu jardim.

Um dos métodos para remover as ervas danilhas é o método 3P. Vejamos:

Remova o pensamento autodestrutivo vislumbrando-o como nocivo.

Preço. Quanto me custa pensar desse jeito? A quem sacrifico, e vale a pena? Me desencoraja? Me traz o que tenho de melhor ou pior? Pensar assim me faz lamuriar, culpar, apegar-me, exigir, condenar e procrastinar?

Produto. Como meu pensamento me faz sentir? Animado ou irritado? Como me faz agir? Com aceitação ou com punição? Me ajuda a resolver ou lidar com o problema?

Proteção. Pensar dessa forma me dá uma desculpa para escapar, evitar, vingar, fazer drama, buscar poder, controle, manipulação, chantagem emocional, querer a simpatia alheia, obter orgulho, ser resgatado, preguiçoso, exigente, sumir ou dar falso testemunho?

3R. Replace

A substituição [replacement] é a parte mais desprezada nas terapias e aconselhamentos. Porém, é crucial para preencher o vazio que fica depois que um problema ou erva daninha se vá. é muito comum que um problema resolvido retorne travestido, disfarçado. É realmente muito comum que um problema tenha sido superado apenas para ser substituído por outro pior.

Neste ponto é interessante consultar o método de substituição de ervas daninhas fornecido pela terapia TREC [REBT], que fornece as crenças racionais [rB] que substituirão as crenças irracionais [iB].

Além disso, é necessário que você entenda o que é o desapego. Desapegar-se não significa pensamento frio e calculista. Ao contrário, desapegar-se é o pensamento emocional que entende que o apego nega a liberdade de sentir e experienciar espontaneamente.

Se você se apega a uma pessoa, lugar ou coisa, então sua vida estará limitada por isso. O apego faz você mentir e negar a realidade. O apego requer cobertura, maquinações, trevas, para manter suas ilusões e engodos. Muitas tradições espirituais enfatizam o desapego como meio de libertação.

Eu persistentemente repito em minha mente que...

a falha não faz de mim um fracassado.

o que é difícil não me fere nem me mata.

sou um ser, não um devir.

sou um ser, não um fazer.

sou um ser, não um sentimento.

sou um ser, não um parecer-alguma-coisa.

sou um ser, não um pensar.

sou um ser, não um pensamento ou uma coisa.

sou um ser, não uma ação.

sou um ser, não opiniões.

sou um ser, não cargos, tarefas, máscaras ou performances.

não sou meus bons ou maus comportamentos porque eu sou aquele que os faz.

não sou meus bons ou maus pensamentos porque eu sou aquele que os pensa.

não sou minhas boas ou más experiências porque eu sou aquele que as experiencia.

não sou minhas boas ou más memórias porque eu sou aquele que as têm.

não sou minhas bons ou maus erros porque eu sou aquele que os cometeu.

estou bem sem tentar transformar-me em outra coisa.

estou a salvo mesmo que meu corpo esteja em risco.

sou o ator, não as ações.

sou o escolhedor, não a escolha.

sou o recipiente, não o conteúdo.

sou o experienciador, não o experienciado.

eu jamais perderei meu status de ser humano.

eu me recuso a ter opiniões negativas sobre o eu.

eu vou corrigir meu comportamento, não o meu eu.

eu vou criticar os pensamentos, não as pessoas.

ninguém jamais poderá causar dano a meu eu.

somente meu ego é uma impostura, não meu eu.

falhar ao desempenhar um papel não é uma falha do eu.

as coisas estão mortas, mas eu estou vivo; portanto, não sou uma coisa.

tentar se transformar em alguma coisa é tentar morrer como essa coisa.

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Exemplo e influência. O que você pode fazer para ajudar os outros? Ajude a si mesmo. Sim, seu exemplo é o melhor presente que você pode dar. Ao modelar, em vez de pregar, você ajudará mais. Tudo o que você tem é exemplo e influência. Use ambos. Cite especialistas se possível. Fale sobre o que você está fazendo e que está dando certo. Deixe-os ver que você está indo bem. Faça com que a coisa toda seja sobre você, não sobre eles. Pratique o que você prega. Faça o certo. Lidere pelo exemplo. Compartilhe lutas e vitórias. Sacrifique-se pelo que é certo. Vou repetir: a coisa toda é sobre você.

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Parte do processo de crescimento é expulsar seus pais e professores do seu jardim. Parte do processo de crescimento é examinar seu jardim para verificar se as plantas que ali estão você realmente as teria escolhido.

Tentar cuidar dos outros, ou seja, cuidar da mente dos outros, é o mesmo que tentar lhes dizer como pensar. Por acaso você gosta que as outras pessoas digam como você deve pensar?

Não é melhor conduzir as pessoas a uma nova mentalidade com exemplos e influência ao invés de palavras?

* * *

Os seres humanos têm basicamente duas escolhas: (1) viver dentro de princípios e (2) viver por desejos primitivos.

Os seres humanos e todas as coisas precisam de orientação externa. Cuidando de seus jardins, os seres humanos transformam a orientação externa em orientação interna. Os seres humanos precisam ser governados por algo superior, senão acabam se afundando. As evidências em favor dessa ideia estão por toda parte e em todas as coisas.

Controle vs. liberdade é o velho (e errado) entendimento a esse respeito. O problema não é ter muito de um e pouco do outro; na verdade, o problema está em ambos, controle e liberdade. Controle e liberdade não funcionam, seja isoladamente, seja em conjunto.

A liberdade não funciona na natureza humana. Vários experimentos com liberdade foram tentados no passado e todos mostraram que precisamos de orientação. Um exemplo assustador foram as ações das pessoas depois da Revolução Francesa. Um exemplo mais recente seria os anos 1960. A liberdade também foi tentada nas artes e os resultados foram desastrosos.

O controle não funciona na natureza humana. Inúmeras formas de filosofias, psicologias, práticas, governos e religiões falharam ao controlar a natureza humana.

A solução é a submissão [under]. Submissão é o conceito de rendição absoluta. Rendição extrema, forte ou branda não resolve. Todas falham porque são condicionais, porque abrem a possibilidade de você se rebelar ou desistir. Condicional significa parcial.

O único sucesso possível vem do incondicional. Viver sob princípios significa viver por eles, e não apenas para pregá-los ou declamá-los.

Devir, aprender ou tentar jamais farão com que você viva em submissão [under]. Todo e qualquer método de transformação da natureza humana é falho. A natureza humana não pode ser tansformada sem que seja morta e transformada em outra coisa.

É impossível que da lama pouco a pouco consigamos ouro. A alquimia sempre falha. Nenhuma prática, por mais intensa que seja, transformará luxúria em amor. Não há estudo no mundo que transforme ganância em caridade. Não há disciplina no mundo que transforme narcisismo em compaixão. Nenhuma prática do mundo transformará a raiva em alegria. Ou você está em submissão ou não estã. Renda-se agora ou nunca.

O único progresso que existe é fazer menos o mal e mais o bem. Não há progresso em o mal se transformar em bem. Elefantes não vão se transformar em formigas, mesmo com todo o tempo do mundo.

Sim, faça menos mal e mais bem, e chame isso de progresso se você quiser. Não, não diga que sua ganância está ficando menos gananciosa. Se você está agindo gananciosamente com menos frequência, ótimo. Mas isso não é a ganância se transformando em caridade. Isso é parar, não progredir. Você chama isso de progresso, mas não é exatamente progresso. Parar com mais frequência não é realmente mais progresso, mas apenas mais paradas. Fazer mais o bem e menos o mal é escolha, não disciplina, nem controle, nem mudança.

O melhor dos seres humanos vem da submissão, não de fazer o que querem. A natureza humana não pode ser livre assim como um bote não vai chegar ao destino simplesmente largando ele na água. O bote precisa de um leme. Os seres humanos precisam de um leme. O leme não é condicional; ele dá uma direção.

A liberdade do controle é necessária. Mas a liberdade de uma natureza humana sem direção também é necessária. A absoluta submissão aos valores é a única e verdadeira liberdade para a natureza humana. A liberdade vem depois da submissão, não antes. O rio é livre porque ele segue as margens. O monge é livre dentro da ordem do mosteiro. O grande poeta é livre dentro das formas poéticas.

Pare de devir, para de se transformar, e escolha mudar para a submissão [under]. Escolha é a resposta, não mudança. Escolha viver por seus ideais, e deixe que os outros sigam os estímulos cegos de seus corpos e egos.

Fonte: Kevin FitzMaurice, Garden Your Mind, FitzMaurice Publishers, Portland, OR, EUA, 2010. Trechos selecionados.